A Linguagem e a Informação Documentária: Intermediações e Ressignificações Possíveis

Ref: 3691322

As contribuições dos pesquisadores de renome que este livro consegue agregar trazem novos ares e pensares para o fazer arquivístico.


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ISBN: :978-85-64561-51-9


Edição: 1


Data de publicação: 00/00/0000


Número de páginas: 89


Peso: 200 gramas


Largura: 14.8 cm


Comprimento: 21 cm


Altura: 2 cm


1. Francinete Fernandes de Sousa.

2. .

A linguagem e a informação documentária: intermediações e ressignificações possíveis Francinete Fernandes de Sousa & Eliete Correia dos Santos

A Arquivologia encontra-se em pleno processo de mudança, de um paradigma clássico ou custodial para uma nova ordem pós-custodial. Porém, para essas alterações, faz-se necessário quebrar os velhos preceitos oriundos das práticas arquivistas seculares para um (re)dimensionamento científico da área. E, a partir de uma perspectiva teórico-metodológica coesa, iniciar discussões para o preenchimento dessas lacunas tão visíveis neste campo.

Desta forma, vale ressaltar que a constituição de uma terminologia para qualquer área do conhecimento encaixa-se nas mudanças de que a área necessita para tornar-se uma ciência, devendo ser uma atividade contínua, abarcando também as novas perspectivas apontadas pela dialética da (re)construção das Ciências e suas mais diversificadas interações com a realidade.

No seu livro intitulado O Arquivo: termos, conceitos e definições a autora Maria Fernanda Mouta apresenta, na sua introdução, um problema conceitual de matriz polissêmica que se expressa da seguinte forma: O arquivo do Arquivo Distrital de Viseu não se encontra, no arquivo, junto dos arquivos depositados no arquivo daquele Arquivo. (MOUTA, 1989, p. 12).

No parágrafo seguinte explica a autora o seu trava-língua: O arquivo (complexo de documentos resultante da actividade de um organismo) do Arquivo Distrital de Viseu (serviço público detentor de vários arquivos, repository) não se encontra no arquivo (edifício, parte do edifício), junto dos arquivos (vários complexos de documentos resultantes da actividades de diversos organismos, fundos do arquivo, fundos) depositado no arquivo (depósito) daquele Arquivo. (MOUTA, 1989, p. 12).

Esse é um pequeno exemplo dos importantes problemas de ordem conceitual e terminológica que a Arquivística precisa resolver para alçar completamente o panteão das Ciências. O próprio Michel Duchein em seu famoso texto de 1976 sobre o Respeito aos Fundos já apontava esta falha e a necessidade de se realizar discussões, mesas redondas, publicar artigos sobre o tema.

Foi a partir da percepção desses problemas, causados principalmente pela diferenciação administrativa que é imanente a cada país, que os profissionais da área sentiram a necessidade em normalizar e padronizar, surgindo assim, o ISAD(G), e outras normas internacionais, bem como os dicionários de termos arquivísticos produzidos pelo Conselho Internacional de Arquivos (CIA) e seus congêneres publicados nos diversos países. Porém, estas tentativas ainda esbarram em outro grave problema da Arquivística: a constituição de um pressuposto teórico-metodológico dentro de um paradigma científico e póscustodial que possa embasar não só estas discussões como também a aplicação dos termos.

Mesmo tendo noção da pluralidade da linguagem e da polissemia que naturalmente existe na língua é imperioso para qualquer área do conhecimento, a utilização das palavras com clareza e um rigor Científico que não deixe margem para dúvidas e a distinção do conceito utilizado de maneira uniforme.

Também é de se destacar que os conceitos estabelecidos devem estar sujeitos aos avanços e mudanças necessárias da revolução científica. Desta forma, a ausência de linhas teóricas com metodologias mais consistentes que se instalou, através das práticas empíricas que fracionaram o próprio conceito de fundo ou mesmo proporcionaram classificações que não se coadunavam com as interrelações sistêmicas que lhes são imanentes.

Assim, nesta seara fértil em discussões surge em boa hora a obra das professoras Francinete Fernandes e Eliete Santos, a qual tenho a honra e o prazer em prefaciar. A edição deste livro vem enriquecer ainda mais, não só a discussão sobre terminologia, como também fortalecer a multidisciplinaridade inerente a Arquivologia ao trazer discussões também sobre a indexação que toca diretamente a representação da informação, formação de tesauros, vocabulários controlados, sendo este um trabalho tão caro aos arquivistas os quais necessitam de apoio principalmente na área da linguística, a fim de dar suporte para poder descrever cada vez melhor os instrumentos de referência.

Portanto, a presente obra que se encontra em suas mãos, prezado leitor, é um contributo essencial para o estudo dos temas sobre terminologia e indexação nos mais variados aspectos que a elas poderão estar associados. Trata-se de um texto que irá levá-lo a perceber novas discussões sobre antigos temas da Arquivologia, como também rever determinadas posições que poderiam encontrar-se cristalizadas. Assim, a leitura destas páginas poderá iniciar e impulsionar releituras, criando novas brechas para refutar velhas perspectivas e evoluir cientificamente.
Josemar Henrique de Melo