Cidadania x Pobreza: A Dialética dos Conceitos na Política Social na era FHC

Ref: 4228023

Este livro – inicialmente elaborado como tese de doutoramento em sociologia na Universidade Complutense de Madri - estrutura-se em torno de um tema dialeticamente contraditório, dadas às tensões seculares que contempla, especialmente quando analisado a partir de realidades,como a brasileira, que ainda convivem com fantasmas do passado: concentração de riqueza, desigualdades sociais, pobreza, desmonte de direitos e democracias claudicantes. (...) Estou falando, mais exatamente, da conflituosa relação entre pobreza e cidadania a qual, através dos tempos, e sob o capitalismo, vem pondo em franca rota de colisão interesses contrários e suscitando renovadas reflexões. (...)


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ISBN: 978-85-8192-264-5


Edição: 1


Ano da edição: 2013


Data de publicação: 00/00/0000


Número de páginas: 319


Peso: 200 gramas


Largura: 17 cm


Comprimento: 23 cm


Altura: 2 cm


1. Reinaldo Nobre Pontes.

Este livro – inicialmente elaborado como tese de doutoramento em sociologia na Universidade Complutense de Madri - estrutura-se em torno de um tema dialeticamente contraditório, dadas às tensões seculares que contempla, especialmente quando analisado a partir de realidades,como a brasileira, que ainda convivem com fantasmas do passado: concentração de riqueza, desigualdades sociais, pobreza, desmonte de direitos e democracias claudicantes. (...) Estou falando, mais exatamente, da conflituosa relação entre pobreza e cidadania a qual, através dos tempos, e sob o capitalismo, vem pondo em franca rota de colisão interesses contrários e suscitando renovadas reflexões. (...)

Mesmo depois da promulgação da Constituição Federal, de 1988, conhecida como cidadã, porque possuidora de vários avanços democráticos, a política social brasileira tem se comportado de modo ambíguo: por um lado, pretende ser progressista e desenvolvimentista e, por outro, tem sido usada para destruir ou desfigurar os avanços constitucionais referentes a ela. (...)

Este é o quadro que, descrito com outras palavras, referencia o estudo de Reinaldo Nobre Pontes sobre o que ele denomina de dialética dos conceitos de pobreza e cidadania, mediada pela política de assistência social, com o seguinte objetivo chave: aferir em que medida e em que proporção a concepção e a prática política de intervenção social se distanciam e se aproximam.

Nessa empreitada, seu interesse não se ateve à análise da pobreza, de suas causas e consequências, como é comum se encontrar; e nem tampouco se prendeu às ações de combate à indigência que, guiadas pelo princípio neoliberal da focalização atualmente em voga, reduzem as necessidades dos pobres ao nível biológico de sobrevivência animal. Embora tudo isso faça parte de seu repertório investigativo, o seu objeto de interesse requereu outro recorte, assim como um marco teórico compatível com o núcleo duro dessa delimitação. E este núcleo, salienta o autor, diz respeito aos conceitos, tanto de pobreza como de cidadania, que servirão de parâmetros ao exame de uma política que se coloca como assistência aos pobres. (...)

Ao optar por esta orientação, Reinaldo Pontes aproxima-se daqueles autores que acreditam no poder de influência dos conceitos, entendidos estes não como construtos que, idealisticamente, devem orientar ações e nem como um mero dever ser; mas sim, como representação resumida, abstraída de fatos reais, ontologicamente constituídos de propriedades e relações concretas. (...)

Certamente foi com base nessas premissas que o autor deste livro também se importou com a má compreensão conceitual, seja da pobreza, seja da cidadania, seja ainda da política de assistência social, por parte dos atores envolvidos na sua pesquisa. Por isso, deu ênfase às concepções ou às visões baseadas no senso comum, as quais, por força de sua impregnação nas mentes e na cultura, assumem foro de verdade e influenciam a prática política. A esse respeito, dois exemplos dignos de nota são as concepções de pobreza como fato natural, ou como culpa dos sujeitos que a padecem; e a redução do conceito de igualdade à ideia de oportunidades iguais.

Enfim, com esta publicação, tem-se um conteúdo que merece ser conhecido e divulgado. Isso porque, é evidente a sua valia para todos os que se preocupam em conhecer mais a fundo as vicissitudes das políticas sociais brasileiras, no contexto de uma tendência internacional hostil à proteção social pública, e de aprender a olhar para além das suas experiências inconsequentes ou desastradas.

POTYARA AMAZONEIDA P. PEREIRA

(PROFESSORA TITULAR E EMÉRITA DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA/UNB)