07/08/2020

Entrevista com a autora Karin Cozer de Campos

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07/08/2020 - Por: Entrevista realizada pelo Canal Infantil

- QUAL A IMPORTÂNCIA DAS HISTÓRIAS NA INFÂNCIA?

Uma das contribuições das histórias na infância é a inserção da criança à cultura escrita. No entanto, vai muito além. As histórias têm a capacidade de envolver as crianças em seus processos imaginários e criativos de linguagem, de pensamento, de memória, de percepção e de atenção. E mesmo que para as crianças pequenas seja difícil diferenciar os elementos da ficção com os da realidade presentes nas histórias, tais processos, conforme a idade e o desenvolvimento da criança, vão se modificando e se ampliando, desde que o ambiente que ela vive seja favorável a esse desenvolvimento.  Por isso, as histórias têm um papel fundamental na infância, porque são como uma referência significativa para a ampliação das experiências da criança, tais como: a experiência cultural, estética, literária, de linguagem e também afetiva.

- A CRIAÇÃO DE HISTÓRIAS, PELA CRIANÇA, AJUDA NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL?

A partir das pesquisas que venho desenvolvendo há mais de 10 anos sobre essa temática, aponto que todas as experiências que a criança vivencia, e que envolvam a narração oral de histórias, são significativas para sua formação. Dentre algumas contribuições ao desenvolvimento infantil, destaco que a criança que vivencia regularmente a experiência de poder criar e contar suas histórias amplia a qualidade do seu discurso narrativo e estimula o desenvolvimento da atividade psíquica de organização do seu pensamento e linguagem. Além disso, o uso da memória e da imaginação pela criança que está criando suas histórias lhe auxilia na reorganização de suas experiências e lhe possibilita expor isso narrativamente.

As crianças ao criarem suas histórias dão legitimidade ao que narram, porque são suas próprias histórias e experiências que são contadas. Isto é, muitas vezes, suas histórias de vida.

- COMO OS PAIS PODEM TRABALHAR A CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS COM OS FILHOS?

Ao falarmos sobre contação de histórias, somos remetidos à imagem de um adulto (pais, familiares ou professores) que conta histórias à criança com o uso de um livro ou histórias contadas livremente de cabeça, algumas vezes até inventadas. Essa experiência é certamente muito rica na formação da criança, quando o adulto próximo a ela serve de referência para inseri-la na cultura oral e escrita. Por isso, as duas experiências são importantes para a criança (ouvir histórias contadas de cabeça e com o uso do livro), de modo que a criança também possa ter a experiência com um adulto leitor que lhe apresente a musicalidade de uma boa leitura.

Mas, enfatizo que, quanto mais simplicidade e espontaneidade haver ao se contar uma história para a criança, mais verdadeira e significativa será a experiência para ela. Os principais recursos são a memória, a voz, o corpo, os gestos e o olhar. Quanto mais contamos histórias, mais vamos aperfeiçoando a prática de narrar, e para a criança, quanto mais ela conhece histórias, ouvindo, lendo ou vivenciando, mais histórias terá para contar. Venho vivendo muito essa experiência com nossa filhinha de quase três anos...

- COMO SURGIU A IDEIA DE ESCREVER O LIVRO "PRODUÇÃO NARRATIVA INFANTIL"?

A partir da minha experiência como professora de crianças pequenas e como contadora de histórias e, em especial, como ouvinte de histórias narradas por crianças, procurei dis­cutir sobre a importância de as crianças elaborarem narrativamente suas experiências e as contribuições disso para sua formação. Esse se tornou o fio condutor da escrita do livro que é também fundamentado em uma pesquisa de doutoramento realizada com um grupo de crianças e que tomou como referência estudos e pesquisas realizadas na área.

- FALE UM POUQUINHO SOBRE O TEMA DO LIVRO.

O livro “Produção narrativa infantil” busca chamar atenção sobre a importância de o adulto (professor, pais e familiares) ouvir as crianças – suas histórias e experiências. Essa prática, realizada regularmente, possibilita às crianças muitas contribuições ao seu processo formativo. Nos momentos em que ocorre uma escuta atenta e interessada, principalmente pelo adulto que se coloca a ouvir a criança, abre-se um leque de possibilidades de interações, de diálogos e de relações de confiança.

Tais relações se constroem conforme as crianças narram suas histórias que podem cada vez mais serem acrescidas de detalhes, de modo que a qualidade da produção narrativa oral das crianças vai se modificando e se desenvolvendo. Na medida em que se estreitam as interações e interlocuções entre a criança e o adulto que se dispõe a ouvi-la, mais as crianças sentem-se seguras, confiantes e motivadas para narrar.

- A QUAL PÚBLICO SE DESTINA?

Destina-se às pessoas que se relacionam diretamente com crianças, como pais, professores de Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental e também tantos adultos que gostam de contar e ouvir histórias para e com as crianças.

- DEIXE UMA MENSAGEM PARA OS PAIS.

Cultivem com as crianças uma escuta atenta e interessada e sempre que possível contem histórias a elas, inventadas e contadas de cabeça ou com o uso de um livro. É muito importante criar uma rotina no ambiente familiar para contar e ouvir histórias com as crianças. Sobretudo, para que ela tenha durante a infância uma experiência e referência de narrador que certamente será lembrado por toda a sua vida. Não será apenas a lembrança de quem contava, mas especialmente das histórias que costumava ouvir quando criança.

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Sobre o autora: Karin Cozer de Campos é Doutora e Mestre em Educação, graduada em Pedagogia, professora do curso de graduação em Pedagogia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE).  Integrante do Grupo de Pesquisa Educação, Criança e Infância (GPECI -UNIOESTE) e do Núcleo de Infância, Comunicação, Cultura e Arte (NICA -UFSC). Tem experiência na área da Educação Infantil, Anos Iniciais do Ensino Fundamental e Formação de Professores. Pesquisa, principalmente, os seguintes temas: narração oral de histórias, infância, cultura, Literatura Infantil e formação de professores.