10/08/2020

Saiba mais sobre a obra: Léopold Sédar Senghor: Uma Narrativa sobre o Movimento da Négritude

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10/08/2020 - Por: Gustavo de Andrade Durão

O presente livro propõe trazer para o campo histórico um dos mais notáveis pensadores africanos do século XX – Léopold Sédar Senghor (1906-2001). É uma das primeiras vezes cuja vida e a obra desse escritor senegalês é trabalhada nos campos da História e seus primeiros escritos ilustram como se constituiu o Movimento de Négritude. Surgida em meados da década de 1930, essa movimentação foi encabeçada por Senghor e contou com a participação de Aimé Césaire (Martinica) e Léon Damas (Guiana) ambos responsáveis por dar início a um debate cultural sobre o “ser negro”.

A obra buscou demonstrar como arte, literatura e as representações de África estavam em voga desde as primeiras décadas do século XX. Enfatizando as influências literárias e parte dos expoentes do pan-africanismo é possível perceber as fontes intelectuais de Léopold Senghor na ambiência norte-americana. Ainda foi possível perceber como as primeiras percepções de África e négritude em Senghor surgiram recuperando alguns dos autores relacionados por ele. Através de seus escritos é possível perceber não somente o conceito de négritude, mas como o “estilo negro” e a “alma negra” ficavam em evidência destacando e valorizando o pensamento negro-africano.

Em relação de equidade com a intelectualidade francesa da metade do século XX, Léopold Senghor passou grande parte da sua juventude desenvolvendo em seus escritos argumentos voltado para a desmistificação do preceito de inferioridade intelectual dos negro-africanos. Destarte, a narrativa do livro converge para a atuação intelectual de Senghor e de Aimé Césaire, este último o responsável pelo avanço do conceito de négritude. Um dos momentos fundamentais na construção dessa narrativa foi perceber a sua crítica de Senghor à assimilação e ao colonialismo, levando em conta como ela se esparzia no campo cultural.

Assim, a experiência de ser negro no mundo se modificou mediante as demandas políticas nas quais o pensador senegalês se engajou, por isso, o pensamento de Senghor e a narrativa do Movimento da Négritude são tão atuais e continuam a ocupando os espaços de debate nas ciências humanas tanto no exterior como no nosso país.  

 


 

 

Sobre o autor: Graduado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2006) e Mestre em História pela Universidade Estadual de Campinas (2011). É doutor pelo programa de História Comparada (UFRJ), com estágio sanduíche no Institut d'études politiques - Science Po (Paris). Trabalha com História da África (colonização, descolonização, intelectuais, cultura afro-brasileira e a construção dos Estados nacionais africanos e ditaduras contemporâneas). Pós-doutorado pelo Programa de História Social da Cultura da PUC-Rio (2017) em que desenvolvi a pesquisa sobre intelectuais africanos e pan-africanismo e obtive bolsa de pós-doutorado (CAPES) pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ (2017-2018) trabalhando a relação dos processos de emancipação no continente africano e a crítica ao Estado Novo português. Durante o pós-doutorado atuei como professor na pós-graduação e na graduação. Professor Efetivo da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) no campus São Raimundo Nonato, fazendo parte do corpo docente do Mestrado Profissional (PROFHistória - Parnaíba).Também atuo como professor convidado na pós-graduação da Faculdade Afonso Mafrense.