13/08/2020

Fake news não é de hoje

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13/08/2020 - Por: Lucas Mateus Vieira de Godoy Stringuetti

Atualmente, o que se tem mais ouvido falar na mídia é sobre as fake news. Nesse sentido, há um grande escândalo envolvendo o governo Bolsonaro, que no final de 2018 havia sido eleito com grande apoio das notícias falsas, fazendo a maioria de seus eleitores acreditarem em tudo que liam, que já descontentes com o governo anterior, davam credibilidade ao futuro presidente. Vitorioso, Bolsonaro comete uma “burrada” atrás da outra, se mostrando o pior presidente que o país já teve. Assim, cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) frear os abusos do Executivo, sendo na verdade o grande guardião da democracia e da Constituição brasileira.

O uso das fake news continua forte no governo de Bolsonaro, em favor de uma ideologia mesquinha e autoritária, que nada democrático tem, com a simples intenção de desinformar a população no meio da pandemia. Com isso vimos recentemente diversos apoiadores do presidente sendo investigados pela Polícia Federal e, talvez, até dinheiro público tenha sido usado para financiar o disparo das fake news.

No entanto, a desinformação não é de hoje, pois notícias falsas já aconteciam há séculos. Exemplo disso ocorreu em 1945 nas eleições para à Presidência da República no Brasil, em que tivemos como candidatos o brigadeiro Eduardo Gomes, pelo partido da União Democrática Nacional (UDN), Eurico Gaspar Dutra, pelo Partido Social Democrático (PSD), Yedo Fiúza, pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) e Mário Rolim Teles, pelo Partido Agrário Nacional (PAN).

A eleição terminou com a vitória de Dutra, que conseguiu apoio de Vargas de última hora. Mas um episódio foi crucial para a vitória de Dutra, pois Eduardo Gomes era o candidato favorito até então. Hugo Borghi, que era dono de várias emissoras de rádio, distribuiu no fim da campanha eleitoral milhares de panfletos acusando Gomes de ter dito a seguinte frase: “Não preciso dos votos dos marmiteiros”. Contudo, Gomes havia dito outra coisa, mas a oposição distorceu a informação.

Borghi referia-se ao pronunciamento de Gomes feito no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 19 de novembro, faltando um mês para a decisão eleitoral. No pronunciamento, Gomes havia dito que não precisava dos votos da malta de desocupados que apoiavam o ditador para se eleger presidente da República. Gomes referia-se aos indivíduos que apoiavam o movimento queremista. Mas Borghi atentou-se para o termo “malta” e procurou no dicionário de Candido de Figueiredo seu significado, tendo encontrado “[...] gente de baixa condição, súcia, caterva reunião de trabalhadores que se transportam juntamente, de um para outro lugar a procura de trabalhos agrícolas [...]”. Desse modo, Borghi colocou na impressa que o Brigadeiro havia dito que não necessitava dos votos dos marmiteiros, dos trabalhadores.

O episódio contribuiu para a derrota de Gomes, que até aquele momento era favorito, tendo o apoio de grande parte da imprensa e defendendo um programa de governo revolucionário para a época, principalmente no sistema educacional e para os trabalhadores.

É por isso que o país tem que investir em leis cada vez mais sérias contra as fake news e a população deve ficar atenta, sempre averiguando se a informação lida é verdadeira ou não. Para isso alguns cuidados são necessários, como: averiguar a data da notícia, verificando se não é muito antiga, fugindo do contexto em questão; verificar quem é o autor da informação e pesquisar sobre ele; analisar o texto para ver se contém muitos erros de português e se possível pesquisar na internet se existem outras fontes confiáveis sobre o mesmo assunto. É dessa forma que exercitando também o pensamento crítico podemos construir uma sociedade mais justa e democrática.

Para saber mais sobre as eleições de 1945, envolvendo o brigadeiro Eduardo Gomes no episódio dos “marmiteiros”, bem como a vida política de Gomes, conheça a obra O pensamento político do brigadeiro Eduardo Gomes (1922-1950), do autor Lucas Mateus Vieira de Godoy Stringuetti.


Sobre o autor: Lucas é doutorando e mestre em História e Sociedade pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), câmpus de Assis e graduado em História e em Letras pela mesma instituição. Tem experiências na área de História do Brasil, com ênfase em História do Brasil Republicano e na área de Literatura Brasileira, com ênfase em literatura infantojuvenil, atuando principalmente nos seguintes temas: história e política, biografia, tenentismo, brigadeiro Eduardo Gomes, UDN, militarismo, história e literatura, literatura infantojuvenil e formação do leitor. É membro do corpo editorial da Revista Faces da História – Unesp de Assis. Além disso, procura ser um mero aprendiz, vivendo a vida em busca de seus sonhos. Contato: lucas.stringuetti@hotmail.com