25/11/2020

Educai as mulheres!

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25/10/2020 - Waldemar Gregori

Quem propõe isso? Quando começou essa campanha? Em Paris ou no Rio de Janeiro?

Foi Nísia Floresta, nascida no Rio Grande do Norte (1809), que morou em Pernambuco, em Porto Alegre, em Paris e, a maior parte do tempo, no Rio de Janeiro, falecida em 1885, em Paris.

Inspirada em Mary Shelley, que escreveu o robô Frankenstein em 1818, e interagindo com personagens notáveis do Rio de Janeiro imperial e de Paris, ela assumiu a causa feminina e publicou em 1853 o Opúsculo Humanitário, uma coletânea de artigos ou crônicas tendo como tema “Educai as Mulheres”, na qual defendia a educação não só das mulheres brancas de todas as classes, mas também das escravas negras e as indígenas.

Em 1838, abriu o Colégio Augusto para meninas, no Rio de Janeiro, com currículo equiparado ao dos meninos, para “reabilitação” moderna da mulher. Nísia era abolicionista, a favor do divórcio e dos direitos femininos iguais aos dos homens. Imaginem as críticas e calúnias!

Nísia apoiava-se em autores com quem se relacionava, como Augusto Comte, e o citava: “[...] a autoridade do homem é inferior, porque é uma atividade intelectual, enquanto o poder espiritual da mulher – o poder do amor – é essencial para a família e muito mais nobre, embora pareça inferior”. Logo, citava o filósofo e historiador Jules Michelet:

Filósofos, fisiólogos, economistas, estadistas, todos nós sabemos que a excelência da raça (hoje etnia), a força de um povo fundamenta-se sobretudo na condição da mulher. Ser amada, dar à luz, depois dar à luz moralmente, educar o homem (este tempo bárbaro não o entende ainda bem) eis a tarefa da mulher matriz de todos os viventes. O que se haverá de acrescentar a tão grande expressão?

Por sua campanha pela educação da mulher, Nísia deve ser considerada a patrona da educação feminina e a pioneira do feminismo no Brasil. Algumas frases dessa líder:

No Brasil não se poderá educar bem a mocidade, enquanto o sistema de nossa educação, quer doméstica quer pública, não for radicalmente reformado (e querem reformá-lo, retirando 6 bilhões da educação para obras políticas?).

Nísia teria, hoje, mais recursos educacionais, como a teoria do cérebro triúno das neurociências e mais apoio de movimentos que declaram a mulher a construtora de cérebros que constroem civilização e humanidade.

“Quem educa um homem, educa um indivíduo; quem educa uma mulher, educa uma sociedade” (Rose Marie Muraro).

Acesse a obra do autor: Neuroeducação para o Êxito: Construção-Produtividade-Decadência dos Três Cérebros e Suas Competências


Waldemar Gregori é formado em Filosofia-Teologia e em Letras, com mestrado e doutorado em Sociologia Política na Fesp/USP.

É autor da Criatividade Comunitária e da Teoria da Cibernética Social Proporcionalista que criou os fundamentos e as ferramentas para a Ciência Social Geral.

Entre suas publicações estão: Cibernética Social; Capital Tricerebral; Educação do Opressor, do Oprimido e do Revolucionário da América Latina; Sociologia Política Pós-capitalista, Pós-socialista; Ciência Social Geral etc.