11/02/2019

Desejo e obsessão: um mergulho nos pensamentos neuróticos

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11/02/2019 - Por: Henrique Scatolin

 

Os pensamentos obsessivos são reconhecidos como um clássico sintoma da neurose obsessiva. Se os pensamentos refletem os desejos, como os seus estudos se iniciaram? Vamos a Viena do final do século XIX.

Freud, em 1894, compreende que a obsessão representa um substituto da ideia sexual incompatível, tendo tomado seu lugar na consciência. Ele releva que o afeto presente nas obsessões caracteriza-se como desalojado ou transposto e poderá, em diversos casos de obsessões, retraduzir-se em termos sexuais.

Freud retoma o estudo sobre o pensamento obsessivo em 1907, em “Atos obsessivos e práticas religiosas”. Nesse artigo ele revela que as pessoas que praticam atos obsessivos ou cerimoniais pertencem à mesma classe das que sofrem de pensamento obsessivo, ideias obsessivas, impulsos obsessivos e afins. Isso, em conjunto, constitui uma entidade clínica especial que comumente se denomina de neurose obsessiva. Assim, na entidade clínica denominada neurose obsessiva, encontramos pessoas que praticam atos cerimoniais (ou obsessivos), como também pessoas que apresentam impulsos obsessivos e ideias obsessivas, sendo que nem todas as ideias ou impulsos finalizam em atos cerimoniais.

Nesse mesmo texto, Freud aponta que no pensamento obsessivo há dois mecanismos de defesa: o deslocamento e a formação reativa. Em relação ao mecanismo do deslocamento, o mestre afirma que os mecanismos do deslocamento psíquico domina os processos mentais da neurose obsessiva; já que o simbolismo do ato obsessivo é resultado da substituição de um elemento real e importante por um trivial.

Já em relação à formação reativa, ele afirma que há sempre a repressão de um impulso instintual que sucumbiu à repressão. Ou seja, é devido à repressão que se cria uma consciência especial, dirigida contra os objetivos do instinto, pois a repressão nessa neurose é um processo que só obtém êxito parcial, estando constantemente sob a ameaça de um fracasso. Assim, em 1907, Freud afirma que os atos cerimoniais e obsessivos surgem, em parte, como uma proteção contra a tentação, em parte, como proteção contra o mal esperado.

Para saber mais sobre esses e outros conceitos sobre as obsessões, te convido a mergulhar na leitura do livro A problemática identificatória obsessiva, no qual você encontrará detalhes sobre os rituais obsessivos, os pensamentos obsessivos e muito mais!


Henrique Scatolin é Pós-doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-SP.
Doutor e mestre em Psicologia (Psicologia Clínica) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Autor de três livros de psicanálise lançados nos EUA (New York), dois publicados no Brasil e diversos artigos publicados em congressos nacionais e internacionais.