20/02/2019

Copa do Mundo: como ela interfere na percepção da paixão nacional?

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20/02/2019 - Por: Israel Teoldo

 

A cada quatro anos os olhos de todo o mundo se voltam para a Copa do Mundo FIFA, competição que reúne as melhores seleções do mundo. Às vésperas de mais uma edição do torneio, o clima não poderia ser diferente: os espectadores aguardam ansiosamente por grandes espetáculos.

A equipe campeã da Copa tende a ser considerada como equipe “ideal”, ou seja, a que foi capaz de unir de forma mais produtiva o talento individual dos jogadores com novas propostas de evolução do jogo. Dessa maneira, ser campeão mundial não se trata somente de reunir um conjunto de talentos, mas sim do reflexo da organização e inovação que as equipes desenvolvem ao longo da preparação. De certo, para se ganhar uma Copa do Mundo, a soma desses fatores se faz presente. Assim, a seleção campeã passa a ser estudada a fim de se elucidarem os elementos que permitiram que ela se sobressaísse em relação às demais.

Entretanto nem sempre o papel de “assumir a responsabilidade pela evolução do futebol” ou de “marcar época” cabe à equipe campeã da Copa do Mundo. Dois exemplos dessa afirmação são as seleções da Áustria, treinada por Hugo Meisel, com o “Wunderteam”, que tinha como ideia a organização defensiva coletiva e o pressing, além da troca constante de posição dos jogadores; e da Holanda, de Rinus Michels, com o famoso carrossel holandês, em que os jogadores não guardavam posição. Ambas as seleções não venceram a Copa que disputaram, mas marcaram época e foram tidas como exemplos de bom futebol e organização. Tais seleções introduziram evoluções importantes no que diz respeito à forma de gerir o espaço de jogo e à organização no campo de jogo por meio dos sistemas táticos utilizados.

A Seleção Brasileira, por sua vez, por ser a maior campeã de Copas do Mundo, também desempenhou papel importante na evolução do jogo e dos sistemas táticos. Dois de seus esquadrões que merecem destaque são o de 1958 e o de 1962. O primeiro, com o sistema “1-4-2-4” (1 goleiro, 4 defensores, 2 meias e 4 atacantes), fez surgir duas novas funções no futebol: o meia de ligação e o ponta-de-lança; e o segundo, em 1962, com o sistema “1-4-3-3” (1 goleiro, 4 defensores, 3 meias e 3 atacantes), que foi derivado da necessidade de se adaptar o posicionamento no campo às características e capacidades dos jogadores da época. A característica fundamental desses sistemas é o equilíbrio entre o jogo defensivo e ofensivo, o que possibilita transformar com facilidade e rapidez uma forte defesa num ataque rápido e vice-versa.

Com isso, os amantes do futebol estão se envolvendo nas novidades que a Copa do Mundo de 2018 na Rússia promoveu e ainda promoverá em relação à forma de pensar e jogar futebol. Entretanto algo inegável é que o jogo de futebol mudou e evoluiu nos últimos anos e, juntamente com isso, é crescente a necessidade de se adaptar e acompanhar a evolução dos jogos para a busca constante de um bom futebol.

Dessa maneira, a leitura da obra Para um futebol jogado com ideias: concepção, treinamento e avaliação do desempenho tático de jogadores e equipes pode auxiliar no entendimento dos aspectos táticos, mediante o histórico da evolução dos sistemas táticos, principais treinadores e seleções/equipes que revolucionaram as características do futebol e influenciaram as gerações posteriores, além de informações detalhadas sobre a componente tática e instrumentos para avaliá-la.


Israel Teoldo é Doutor em Ciências do Esporte; mestre em Treinamento Esportivo; professor adjunto da Universidade Federal de Viçosa; coordenador do curso de especialização em Futebol e do Núcleo de Pesquisa e Estudos em Futebol (NUPEF) da Universidade Federal de Viçosa; professor orientador do Programa de Pós-Graduação em Educação Física (Mestrado e Doutorado) da Universidade Federal de Viçosa; autor do livro: Para um futebol jogado com ideias: concepção, treinamento e avaliação do desempenho tático de jogadores e equipes; consultor para o projeto de elaboração do Curso de Treinadores – Escola Brasileira de Futebol/CBF Academy – Confederação Brasileira de Futebol; instrutor do Workshop de Especialistas – Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol); professor do curso de formação de Treinadores das Licenças A e C – CBF Academy.
   
José Guilherme é Doutor em Ciências do Esporte; mestre em Ciências do Esporte; professor auxiliar da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto; coordenador do Gabinete de Futebol da Universidade do Porto; treinador de Futebol (Seleção Nacional Portuguesa, FC Porto, AA Coimbra, SC Espinho); professor do Curso de Treinadores Nível da Federação Portuguesa de Futebol para os níveis Uefa Advanced e Uefa Pro; professor do curso de Formação de Treinadores das licenças A e B – CBF Academy; professor convidado da Escola de Estudos Superiores do Real Madrid, Universidade Europeia; autor de várias publicações relativas ao ensino e ao treino do Futebol.