16/03/2021

A cultura na escola ensina a criança a se ajustar a padrões comportamentais

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16/03/2021 - Lara Marin

Aquela cantiga que você cantava na escola, aquele livro que sua professora lia e aquela brincadeira que você brincava no pátio com seus colegas foram escolhas pedagógicas para que você aprendesse a viver nessa sociedade. Da mesma forma, a cultura que você consome hoje ainda o forma para que você siga as normas e os padrões de comportamento social. É o que chamamos de currículo cultural.

Cada contexto social tem uma demanda, um desejo de como os sujeitos devem ser e o que as crianças devem aprender para viverem neste mundo e se tornarem adultos. Aquilo que os estudantes aprendem nas escolas muda com o tempo para que os futuros cidadãos possam desenvolver a humanidade da forma mais adequada ao seu contexto. O currículo escolar daquilo que devem aprender não é composto apenas de Matemática, Ciências e Línguas, mas também da cultura: a das artes e a dos costumes.

Quando a professora lia uma história para você, ela lhe ensinava sobre os aspectos da literatura, da língua, e também sobre os valores contidos naquela narrativa. Há sempre um ensinamento dos comportamentos sociais aprendidos em uma história, em uma música, em um filme, ou mesmo no processo de produção e análise dessas artes, seja ele moralista ou não.

Essa tarefa de construção curricular e escolha do que faz parte do dia a dia escolar é uma atribuição da Pedagogia, e os especialistas que constroem os currículos não fazem isso de um jeito aleatório ou ideológico, mas operam esse poder de escolha com muito conhecimento, responsabilidade e seriedade, proferindo e pautando-se no próprio discurso pedagógico que é formado tanto por professoras e pesquisadores, quanto por leis e parâmetros governamentais, além da própria sociedade.

Peguemos um livro didático como exemplo: antigamente, no meio do século XX, textos desse material mostravam o desejo da sociedade e o discurso pedagógico de que as crianças fossem polidas com os adultos e era normal o ensino moral religioso ou, até mesmo, exemplos linguísticos de obras racistas em suas páginas.

Atualmente, consideramos absurdo o fato de que tais conteúdos um dia já estiveram em um material de ensino aos estudantes. O que será, então, considerado absurdo no futuro sobre a cultura que consumimos e os comportamentos que desejamos para a sociedade?

Hoje, as escolas debatem com seus estudantes sobre obras de arte e seus conteúdos. O tão almejado ensino crítico também faz parte desse currículo que representa uma demanda social atual do que entendemos como fundamental para o ser humano.

Certamente, os padrões e expectativas sociais mudarão, mas a cultura ainda será objeto curricular e recurso do ensino para dar exemplos, inspirar, padronizar e questionar os comportamentos humanos, retratando aquilo considerado normal ou desejado na sociedade.

Acesse a obra da autora neste link


 

Lara Marin é mestre em Estudos Culturais pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e autora do livro A Cultura nos Livros Didáticos (Editora Appris). Além de sua atuação como pesquisadora, é autora de projetos e materiais didáticos desde 2008.