26/04/2021

Jongo: dança, tambor ou... luta?

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26/04/2021 -   Heliana Castro Alves

Os descendentes dos africanos escravizados mantiveram a memória da escravidão por meio de diversas manifestações culturais, entre elas, o jongo, que integra, na sua prática cultural, dança, tambores e canto. Durante o jongo, são entoados os pontos, versos de improviso cantados numa linguagem cifrada e de difícil compreensão para leigos, com frequente utilização de metáforas. Comumente, os negros escravizados no período colonial utilizavam as rodas de jongo não apenas como diversão, mas também como forma de comunicação e resistência ao sistema colonial. Nas rodas, as metáforas eram proferidas e cantadas para falarem mal do senhor, do feitor, para relatarem fatos e combinarem as fugas: havia uma relação muito estreita entre os pontos de jongo e a realidade social vivida pelos negros.

Mas vocês sabem que o jongo não representa apenas uma memória canonizada da escravidão? Durante os últimos anos, ele adquiriu diferentes significados sociais no atual contexto político, gerando processos sociais voltados para a evocação de memórias e a constituição de uma identidade cultural gerida no interior das comunidades tradicionais. Essas memórias passaram a ser alicerçadas às lutas políticas das comunidades quilombolas jongueiras no novo cenário social.

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Heliana Castro Alves Docente do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Doutorado em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social pelo Programa EICOS/ UFRJ, realizou estágio doutoral na Université de Lille 3, França (programa Capes Cofecub). Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Vulnerabilidade e Saúde na Infância e Adolescência (NEPVIAS) e do Laboratório do Laboratório de Memórias, Territórios e Ocupações: rastros sensíveis, UFRJ. Possui experiência na Área Social a partir de ações territoriais, com ênfase em Arte, Cultura, Arte-Educação, Cidadania Cultural, Comunidades Tradicionais e direitos humanos, atuando principalmente nos seguintes temas: pós-colonialismo, identidade cultural, igualdade racial, vulnerabilidade social; memória social, violência e desenvolvimento humano/ comunitário.