13/05/2021

A última hora: qual é a nossa hora?

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13/05/2021 - Thaisa Toscano Tanus

 

            A era industrial fez nascer a crença de que os recursos naturais do meio ambiente são infinitos e que a natureza sempre esteve, está e estará à disposição do homem. O ideal de “liberdade” apregoado pela Revolução Francesa até então nunca esteve tão em voga, centralizando o "eu" e deixando o “nós” e o “eles” em segundo ou em último plano.

            Hoje vivemos a era ambiental, uma era em que o meio ambiente passou a ser uma preocupação mundial, tanto pelo avanço da ciência como pelas respostas da natureza a um estilo de vida humana marcado pelo consumismo desenfreado, pela ausência de consciência coletiva e pela falta de um pensamento crítico e voltado para o futuro. Tais respostas são evidenciadas pelo aumento do efeito estufa e o consequente aquecimento global, pelo degelo das calotas polares, pelos desastres naturais, como queimadas, secas, inundações e deslizamentos de terra, e pelas mudanças climáticas.

            O documentário “A Última Hora”, de 2007, produzido e narrado pelo ator Leonardo DiCaprio, aborda exatamente esta temática: o quão grande é o impacto de nossas ações impensadas e de nosso estilo de vida sobre o planeta Terra, e o tamanho do problema que estamos criando à nossa própria sobrevivência. Estamos nos multiplicando muito rápido, muito além do que as pressões sobre a terra podem aguentar, e com isso geramos também problemas sociais, como a figura dos refugiados ambientais e o aumento da fome no mundo.

            Se colocássemos todas as eras pelas quais o planeta Terra já passou dentro do período de um ano, a Terra teria surgido no dia 1º de janeiro, e a espécie humana às 23 horas e 45 minutos do dia 31 de dezembro. Mesmo sendo uma espécie relativamente nova no planeta, a espécie humana agride o meio ambiente mais do que qualquer outra. No entanto, o que poucos sabem é que o planeta já teve diversas espécies animais e vegetais, e quase 100% delas já foram extintas, o que significa dizer que a humanidade não está imune a acarretar sua própria extinção. E por que ainda assim temos tanta pretensão em achar que somos onipotentes?

A verdade é que somos parte da natureza, ou melhor, nós somos a natureza. E a natureza também tem direitos. Mas ainda pensamos que dela podemos usar e abusar ao nosso bel-prazer. Insistimos em usar combustíveis fósseis em vez de investir em energias renováveis. Insistimos em utilizar meios de locomoção próprios e poluentes em vez de transportes coletivos e sustentáveis. Continuamos produzindo alimentos por meio da agricultura convencional em vez da agricultura sustentável. Continuamos a descartar e esquecemos de reciclar. Teimamos em desmatar, queimar, poluir, caçar e pescar de forma predatória, mesmo sabendo que isso afeta a nossa saúde e coloca nossas vidas em risco. E cerramos os olhos para o fato de que a luta contra as mudanças climáticas melhora a economia e gera empregos.

É hora de nos adaptarmos às necessidades ecológicas com novas tecnologias que ajudem a prover um desenvolvimento sustentável. É hora de utilizarmos os recursos naturais que ainda temos disponíveis de modo racional, sem desperdiçar nem poluir. Ainda há tempo para salvar o planeta? Sim, visto ser ele bem mais velho e experiente do que nós, meros humanos. A Terra tem todo o tempo do Universo para se recuperar e tem certo poder de autorregeneração, comprovado historicamente. Mas e a espécie humana? A permanência aqui é perene ou fugaz?

Nossa sobrevivência está em nossas mãos. É hora de praticar os outros dois ideais que há séculos nos foram legados: a igualdade e a fraternidade. Com pequenos e importantes gestos podemos dar um novo futuro tanto para o planeta Terra quanto para a humanidade. Chegamos aqui na última hora, mas também poderemos ir embora de última hora. A hora é agora.

Para saber mais sobre o tema, conheça a obra Responsabilidade por danos ambientais: uma comparação entre Brasil e Alemanha – legislação e casos concretos.


Thaisa Toscano Tanus – graduanda em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira, campus Goiânia, Brasil; pesquisadora em Direito Ambiental; membro do grupo de estudos e pesquisa em Constituição, Democracia e Direitos Fundamentais (CDDF); autora de artigos e capítulos de livros sobre a temática ambiental. Instagram: @ambiental.thaisa.toscano