20/05/2021

Redes de colaboração, cultura digital e prática docente em contextos virtuais

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20/05/2021 - Ana Lúcia de Souza Lopes

 

Repensar caminhos da aprendizagem para a formação de professores sempre foi um grande desafio, já que a cultura escolar vive de rupturas e continuidades que tecem uma trama de relações, hábitos e costumes que são próprios das práticas escolares e dos saberes docentes.

Para tanto, a ação docente é desafiada a promover novas experiências formativas, mais condizentes com as necessidades contemporâneas, e conta com o avanço da tecnologia e da incorporação da cultura digital para novas formas de aprender e ensinar.

A pandemia da Covid-19 impulsionou ainda mais esse movimento, já que levou professores do mundo inteiro a migrarem para espaços virtuais que se estabeleceram como “lugares de aprendizagem”. Além disso, vimos que tais espaços se tornaram, por meio da internet, redes de colaboração entre professores para a construção de saberes coletivos e compartilhados. Neste contexto, vivenciamos a multiplicação de lives, congressos virtuais e debates nas mais variadas redes sociais, que nos levam a compreender a importância dessa mobilização em âmbito virtual.

Essa partilha nos remete a pensar sobre a potência que as redes de colaboração em contextos virtuais têm no que se refere aos processos de formação continuada de professores dos mais diversos níveis de ensino, especialmente do professor do ensino superior. Com a consolidação da Educação a Distância, enquanto modalidade de ensino na educação superior, a figura do professor on-line tornava-se cada vez mais presente e, com o impacto da pandemia, esse novo papel foi incorporado até de maneira compulsória em grande parte da comunidade de professores, já que, em sua maioria, as universidades migraram para o ensino remoto em caráter emergencial a fim de que as aulas não fossem suspensas.

Considerando as demandas educacionais da atualidade e que, para cada época são necessários instrumentos de formação e capacitação docente, é importante refletir sobre quais demandas formativas os profissionais da educação têm e como podemos encontrar caminhos próprios ao momento em que vivemos para ressignificar práticas e construir novos saberes.

Nesse sentido, vêm à nota a emergência da incorporação da cultura digital e da potência que as redes de colaboração podem oferecer nesse processo de formação. Compreende-se que é necessário investir em programas de colaboração e formação docente em contextos virtuais, internacionais ou nacionais, que se constituam como novos “lugares de aprendizagem” e que permitam a construção de uma nova “práxis docente em ambiente virtual”.

Essa práxis foi denominada como “práxis Reconectiva docente” que trata da ação + reflexão em espaços colaborativos e de imersão em contextos virtuais que são geradores de novas práticas docentes e de compartilhamento de saberes.

Tendo em vista a relevância do tema para quem atua na educação, em especial na educação superior, tal discussão implica numa posição ativa que integre cultura digital à prática docente de forma colaborativa em ambientes virtuais e que estes sejam identificados como geradores de novas práxis docentes para responder às demandas de nossa atualidade.

A ideia de inteligência coletiva de Pierre Levy (1999) permeia essa reflexão, bem como as necessidades de formação pedagógica do professor do ensino superior, apontadas por Maria Isabel Cunha (2010).

Conhecer experiências exitosas, que nos oferecem a possibilidade de conhecer como tais espaços podem nos mostrar de que forma as redes de colaboração se constituem enquanto espaços geradores de novas experiências que respondem às demandas atuais, com destaque para o momento emergencial da pandemia da Covid-19 que afetou a prática docente de professores de todo o mundo.

Na obra Redes de Colaboração na formação docente: uma práxis em ambiente virtual no ensino superior é possível conhecer uma experiência formativa em rede de colaboração internacional virtual que envolveu a concepção, o desenho pedagógico e a implementação de um curso de formação pedagógica que permitiu o reconhecimento de uma práxis REconectiva docente.

 

Referências

CUNHA, M.I. Trajetórias e lugares de formação na docência universitária: da perspectiva individual ao espaço institucional. Araraquara: Junqueira & Martin, 2010.

LEVY, P. A inteligência coletiva. São Paulo: Loyola, 1999.

 

 


 

 

Ana Lúcia de Souza Lopes é doutora e mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e graduada em Administração de Empresas pelo Centro Universitário da FEI. Tem experiência na gestão de programas de formação docente (presencial e a distância). É autora e curadora de materiais didáticos para cursos de graduação e especialização. É docente da UPM nos cursos de graduação em Pedagogia e Licenciaturas e no curso de especialização em Docência do Ensino Superior. Tem como principais áreas de pesquisa: Cultura Digital e Prática Docente, Formação de Professores, Processos de Ensino e Aprendizagem e Metodologias Contemporâneas.