10/06/2021

O Cinema Político Latino-Americano nos anos 1960 e 1970

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09/06/2021 -  Mirela Bansi Machado.

Nos anos 1960 e 1970 acontecia na Argentina um processo de radicalização política e de protesto pelo qual a sociedade passava. Os conflitos abriam espaço para a existência de novas correntes no campo da cultura, em âmbitos institucionais e nos movimentos populares. Assim surgia uma força muito heterogênea chamada “nova esquerda”.


Acontecimentos como o movimento de libertação na Argélia, a Guerra do Vietnã e o triunfo da Revolução Cubana influenciaram uma ideologia anti-imperialista na América Latina, de conscientização da realidade política e social dessas nações “subdesenvolvidas”, e provocaram mobilizações em diversas áreas da cultura, com o intuito de utilizar a arte como ferramenta para a libertação do neocolonialismo.


Durante a ditadura, a dissidência política de esquerda passou a utilizar a imagem audiovisual como uma ferramenta de construção política e militante. Câmeras começaram a buscar rostos, testemunhos e lutas das massas, cujas sucessivas ditaduras militares negavam seu lugar na história. Isso se faria primeiramente pelo gênero documental, mas logo depois era consolidado um diálogo entre documento e ficção que constituiria um dos traços mais originais do cinema militante dos anos 1960 e 1970.


A necessidade de expor a realidade vivenciada pela população do “Terceiro Mundo”, nesse momento de conjuntura revolucionária, gerou uma nova linha e um conceito cinematográfico chamado Nuevo Cine Latinoamericano. Essa ideia acreditava na arte como um instrumento de conscientização política e os temas dos projetos estavam relacionados aos problemas comuns entre os latino-americanos, como o imperialismo, o neocolonialismo, o subdesenvolvimento e a realidade dos trabalhadores.


O Instituto Cubano de Artes de Indústria Cinematográfica (ICAIC) foi um espaço que buscava fornecer técnicas e meios para o setor do cinema, além de congregar cineastas latino-americanos com estéticas cinematográficas do Nuevo Cine, no qual podiam criar uma rede de sociabilidade. Nos anos 1970, o cinema cubano transformou-se em vanguarda dentro do contexto latino-americano. Os dirigentes do ICAIC, a classe cinematográfica cubana e o governo deram suporte aos cineastas exilados ou de passagem, também como resistência às ditaduras.


Os cineastas do movimento do Nuevo Cine destacaram-se por fazer um retrato do ponto de vista deles sobre a realidade. A análise dessa visão de mundo é fundamental para se compreender o pensamento e as perspectivas de uma geração, assim como o estudo histórico das produções, e para fazer uma análise dos conflitos sociais, políticos e culturais da época.
Para saber mais sobre o tema, conheça a obra O Cinema Político Latino-Americano: militância em Operación Masacre, de Jorge Cedrón (Argentina, 1972).

 

 


 

 

 


Mirela Bansi Machado - Professora do Estado de São Paulo. Mestre em História Social pela Universidade Federal de Uberlândia e graduada em História pela mesma instituição.