15/06/2022

A Venezuela e o Chavismo em Perspectiva: Análises e Depoimentos

15/06/2022 - Antonio Mariano prefaciador de A Venezuela e o Chavismo em Perspectiva: Análises e Depoimentos

   

Historicamente a América Latina foi tratada como um território subdesenvolvido, com uma mítica de que talvez nunca fosse conseguir sair das garras da corrupção e da pobreza. Conquistada pelos europeus, principalmente portugueses e espanhóis, teve suas riquezas exploradas e, mesmo assim, até hoje é o celeiro do mundo, produzindo boa parte da carne e dos grãos consumidos ao redor do globo.

Guerras foram travadas ao longo dos últimos cinco séculos, seja para conquistar liberdades (ou retirá-las), definir fronteiras e pilhar os minérios que por aqui abundavam. Atualmente, com poucas disputas, a América Latina é uma porção continental que almeja a paz e o crescimento.

A partir da década de 1990, com o fim da Guerra Fria, a abertura comercial e a liberalização da economia cada vez maior, tivemos um crescimento invejável, com uma produção de riqueza nunca antes vista neste pedaço do mundo. Blocos comerciais, como NAFTA, MERCOSUL e a Aliança do Pacífico alavancaram o comércio entre vizinhos e com os demais continentes.

Ao mesmo tempo, por outro lado, também tivemos graves problemas de ruptura democrática com o avanço do populismo, independente de ideologias, sobre alguns governos. Argentina, Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela são alguns destes exemplos – sendo este último como maior expoente de crise institucional vigente até o presente momento.

Eleito em 1999, Hugo Chávez foi o mentor do Chavismo, sua doutrina populista e de dominação cultural, social e política da Venezuela, que acabou expandindo fronteiras para outros países alinhados ideologicamente a ele. A Venezuela, forte dependente da produção de petróleo e do preço do barril no mercado externo, teve seus momentos de glória durante diversos períodos históricos, com paz social, instituições políticas estáveis e crescimento econômico pujante - mas também viveu (e ainda vive) cenários antagônicos de outrora. Simón Bolívar, seu herói libertador, em nada imaginava que um dia sua pátria chegaria a esse ponto.

Nos últimos vinte anos, a dita “Pequena Veneza” tem vivido felicidades e agruras, em que seu ponto mais baixo já pode ter levado mais de cinco milhões de cidadãos a optarem pelo êxodo, abandonando sua terra natal. Atualmente vive-se a maior crise humanitária da história do continente levando a pobreza, desigualdade e os maiores índices de inflação do mundo. Estudos indicam que a pobreza possa atingir quase 90% da população, sendo que mais de 60% estão abaixo da linha da pobreza extrema.

A Venezuela hoje é uma Caixa de Pandora dentro de uma região que busca o desenvolvimento e o equilíbrio, quase um estranho no ninho. Entender como funcionam seus mecanismos, suas engrenagens, é fundamental para tentar prever o que irá ocorrer nos próximos anos e como isso pode afetar a nós e aos nossos vizinhos. Para além disso tudo, também é importante pelo lado humanitário: o que fazer com tanta miséria? E os que imigram e saturam sistemas de educação e saúde dos outros países? Havendo uma normalização institucional – algo para mais de 10 anos, caso comece hoje – esses venezuelanos irão voltar para casa? Ou já nem sequer consideram-na mais como seu lar?

Para saber mais sobre o tema, conheça o livro “A Venezuela e o Chavismo em Perspectiva: análises e depoimentos”.


 

Antonio Mariano Cientista social e jornalista, com mestrado em Administração Pública pela EBAPE/FGV e doutorando em Política, História e Bens Culturais no CPDOC/FGV. Já foi Assessor Parlamentar na Câmara dos Deputados e na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, além de Chefe de Gabinete e Subsecretário de Obras na Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras do Rio de Janeiro.