26/05/2020

Bibliotecas digitais, plataformas digitais colaborativas e a internet

Tags: BLOG

26/05/2020 - Por: Natália Rodrigues Silva

Desde a antiguidade, o homem busca um meio de armazenar o conhecimento que é produzido, voltando-se para a preservação e guarda da “memória”. Essa busca é vivenciada desde as bibliotecas da Antiguidade, com o uso dos tabletes de argila, do papiro, do pergaminho, do papel, o que é constitutivo de cada momento histórico, em certa ordem, em relação às tecnologias disponíveis na época.

As tecnologias têm provocado mudanças sem precedentes na comunicação e no uso da informação. O acesso à informação está disponível de forma mais rápida e fácil a cada dia. Hoje, com apenas um clique, é possível saber o que está acontecendo do outro lado do continente e em supostamente tempo real.

Na internet, é possível encontrarmos diversas “bibliotecas digitais”, assim denominadas no senso comum, que disponibilizam em seus sites diversos materiais, em diferentes formatos, de diferentes autores para download. Em razão de sua estrutura,  funcionamento e pela forma que os materiais são inseridos e disponibilizados aos seus “usuários”, não é possível, dentro do ponto de vista da biblioteconomia, denominar esses sites como bibliotecas digitais, mas como plataformas digitais colaborativas. Essas plataformas se colocam como plataformas “pessoais”, “privadas”, no espaço digital, porém podem ser consideradas como plataformas “públicas”, pois não é somente uma pessoa que tem acesso ao seu “conteúdo”, mas várias.

Assim, essas plataformas digitais colaborativas produzem e movimentam sentidos de colaboratividade, público e conectividade. São plataformas digitais colaborativas, pois são seus próprios “usuários” que alimentam seus sites com diferentes tipos de materiais, de maneira colaborativa. Muitas vezes, esses “usuários” assumem, dentro dessas plataformas, o papel que é desenvolvido pelo profissional bibliotecário, pois ao atribuir descritores e inserir os materiais nesses sites acabam fazendo o processamento técnico desses materiais, atividade esta que é desenvolvida pelos bibliotecários, que tem a devida formação técnica e meios adequados para fazê-lo.

Além disso, a facilidade que existe em se obter cópias e reproduções que não são autorizadas na internet, em especial dentro dessas plataformas digitais colaborativas, coloca em evidência uma necessidade de proteção dos direitos autorais, visto que ao inserir dentro delas materiais que são protegidos pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98) há uma infração a esta, pois, muitas vezes, os autores não autorizaram a publicação de suas obras dentro dessas plataformas, para circularem da maneira como estão sendo postas e (com)partilhadas.

Assim, deparamo-nos, pois, com alguns sentidos sobre as bibliotecas digitais e plataformas digitais colaborativas. Por um lado, temos a proteção dos direitos do autor, reconhecida em leis, que garantem o acesso à cultura e à informação e, de outro lado, o (com)partilhamento das produções intelectuais de forma indiscriminada nas plataformas digitais colaborativas, em virtude do atual cenário tecnológico e da vulgarização da internet. Mas será que todo esse material que encontramos na internet para fazer download é autorizado?

Para saber mais sobre o tema, conheça a obra Bibliotecas digitais ou plataformas digitais colaborativas? Por uma compreensão do funcionamento das bibliotecas digitais (não) autorizadas no espaço digital.


Sobre a autora: Natália Rodrigues Silva é doutoranda em Gestão e Organização do Conhecimento pela Universidade Federal de Minas Gerais (PPG-GOC/ECI/UFMG). Mestra em Ciências da Linguagem pela Universidade do Vale do Sapucaí (2018). Pós-graduada em Biblioteconomia pela Faculdade Internacional Signorelli (2013). Graduada em Biblioteconomia pelo Centro Universitário de Formiga (2012). É bibliotecária no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) - Campus Avançado Carmo de Minas. Tem experiência na área de Ciência da Informação, com ênfase em Biblioteconomia, atuando principalmente nos seguintes seguimentos: coordenação de biblioteca; formação e desenvolvimento de coleção; disseminação da informação, orientação a discentes e docentes quanto ao uso das normas ABNT para elaboração de trabalhos técnicos e científicos; treinamento de usuários; planejamento anual da Biblioteca etc. Possui prática em consultorias e organização de documentos e informação. Interesse (e realização) de pesquisas nas seguintes temáticas: bibliotecas, bibliotecas digitais, plataformas digitais colaborativas, direitos autorais, análise de discurso, uso de redes sociais em bibliotecas, entre outros.