Coleção Clínica(S)

A clínica é, por excelência, o espaço em que tempo e presença se fazem condição. É, pois, um lugar de onde se olha/vê o fenômeno que existe a partir de uma construção entre observador e observado. Na contemporaneidade, esta forma de se encontrar com o outro, a clínica, está em desuso, privilegiando-se as possibilidades de evidenciação (exames, imagens, testes, escalas). Com isso, o contato se esvaziou, e as intervenções se formataram; cada vez mais organizadas como protocolos, reforçando a eficiência dos resultados e das evidências.

Quando se abordam as ditas afecções “orgânicas”, tal perspectiva se mostra bastante útil. O estabelecimento da história natural da doença para os órgãos é uma situação que, desde a Segunda Guerra Mundial, traz avanços inquestionáveis.

No entanto, quando se trata (d)o sofrimento psíquico, existencial antes de tudo, está-se diante de um desafio: da avaliação das vivências ao invés das evidências. O contexto em que se vive se articula a como e quando se adoece subjetivamente. A retroalimentação entre as condições do adoecimento psíquico e quem adoece impede que se saiba qual o percurso “natural” de qualquer forma de doença mental.

É no exercer clínico, das várias facetas da clínica e de sua observação que se pode vir a saber algo deste sofrimento que, existencial, é psíquico. Estar diante deste sofrimento, escutando-o desde uma técnica e da compaixão (em que se sabe que todo sofrimento é válido), é a possibilidade maior de resistir a tudo mapear, a tudo protocolar, que pode, no limite, esgotar o que de mais absoluto define o humano: sua condenação à liberdade de sofrer de um jeito próprio, singular, particular.

Esta coleção busca cumprir o desafio do paradoxo humano de ser conhecido apenas quando se dá a conhecer diante de seu semelhante. Enquanto humanizar acontecer da forma milenar, na transmissão das ações educativas/ensinativas, assim será.

Podem ser encontradas nesta coleção clínica(s) que venham da educação, da psicologia, da fonoaudiologia, da psicanálise, da medicina, quiçá da arquitetura ou da computação. Mas clínica(s) que se postam, com tempo e presença, diante do fator humano propondo reflexões e práticas que estrategizam o manejo cotidiano do sofrimento; sem proposições prévias ao encontro.

Boas leituras!
Dra. Roberta Ecleide Kelly


Diretora Científica:
Roberta Ecleide Kelly (NEPE)

Consultores Editoriais:
Alessandra Moreno Maestrelli (Território Lacaniano Riopretense)
Antônio Cesar Frasseto (UNESP, São José do Rio Preto)
Felipe Lessa (Membro do Laboratório de Saúde Mental Coletiva, Faculdade de Saúde Pública)
Gustavo Henrique Dionísio (UNESP, Assis - SP)
Heloísa Marcon (APPOA, RS)
Leandro de Lajonquière (USP, SP/ Université Paris Ouest, FR)
Marcelo Amorim Checchia (IIEPAE)
Maria Luiza Andreozzi (PUC-SP)
Michele Kamers (Hospital Santa Catarina, Blumenau)
Norida Teotônio de Castro (Unifenas, Minas Gerais)