Facetas do trabalho na Contemporaneidade: Diálogos Luso-Brasileiros

Ref: 4002366

Este livro traz ao público uma amostra de algumas das quarenta e uma apresentações selecionadas entre as oitenta propostas ao Grupo de Trabalho chamado Trabalho, Sindicalismo e Movimentos Sociais.


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ISBN: 978-85-8192-098-6


Edição:


Ano da edição: 2013


Data de publicação: 00/00/0000


Número de páginas: 320


Encadernação: Brochura


Peso: 200 gramas


Largura: 14.8 cm


Comprimento: 21 cm


Altura: 2 cm


1. Elisio Estanque.

2. Leonardo Mello e Silva.

Este livro traz ao público uma amostra de algumas das quarenta e uma apresentações selecionadas entre as oitenta propostas ao Grupo de Trabalho chamado Trabalho, Sindicalismo e Movimentos Sociais, coordenado por nós, por ocasião do Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais que teve lugar em Salvador, entre 7 e 10 de agosto de 2011. Chamou-nos a atenção a diversidade de assuntos tratados pelos apresentadores, mas também a sua fidelidade ao tema proposto pelos coordenadores, que era o de tentar articular as múltiplas facetas do fenômeno do trabalho numa época de crise e transformação das bases econômicas e sociais que o tem tradicionalmente definido e enquadrado. Assim foi feito. Do Brasil e de Portugal vieram contribuições que desenharam um mapa complexo de manifestações em que a reivindicação do trabalhador por um lugar na nova divisão do trabalho que o mundo começa a delinear, tanto no Norte quanto no Sul, parece mais pertinente do que nunca.

Excluídos da sociedade salarial, ou incluídos nas redes de subcontratação de cadeias produtivas complexas; precários em termos de segurança social, ou flexíveis no estatuto do emprego; empregados de serviços, operários, jovens, cooperativados, imigrantes... o painel é heterogêneo e desafiante para o cientista social, cujos instrumentos de análise da realidade estão muitas vezes defasados diante de uma situação em rápida mutação e experimentação. Conceitos como os de classe social ou de classe trabalhadora são confrontados com mercados de trabalho e com regimes de proteção que estão bem distantes do reconhecimento institucional que, de certa maneira, informa ainda as categorias de entendimento com as quais movemos os nossos dispositivos científicos para a pesquisa, a indagação de problemas a serem estudados e tematizados, além da escolha do que é relevante e do que é acessório ou derivado.

Por outro lado, uma espécie de sombra de um suposto gênio maligno moderno ronda as formulações algo peremptórias em torno de juízos muito definitivos dando conta de uma passagem irreversível para um novo mundo, completamente diferente do anterior, onde predomina o esvaecimento do trabalho. E se, perguntamos, ao invés de uma necessidade irremediável dos novos tempos, boa parte das transformações que hoje se observa no emprego, no modo de trabalhar, na organização da firma, das relações entre clientes e fornecedores, na caracterização de atividades de serviço e de atividades de manufatura, no papel do Estado e das políticas públicas, tudo isso, enfim, não fosse muito mais o produto de escolhas políticas e historicamente inteligíveis que, longe de serem irreversíveis e naturais, são muito mais o produto de uma visão de mundo que se quer passar como válida e indiscutível. Um novo mundo - do trabalho - seria impossível.

O estado das artes requer cautela. E não apenas por uma questão de sabedoria matreira e avessa a juízos preditivos, mas talvez exatamente pela falência repetida de algumas apostas baseadas nesses mesmos juízos dentro de nossa disciplina ou especialidade de estudo, que é a sociologia do trabalho e da estrutura de classes. Há cerca de cinqüenta anos atrás, estava em voga o debate em torno da superação da sociedade industrial, muito em função do avanço da automatização como tendência econômica e social das regiões desenvolvidas; o esmaecimento das fronteiras de classe e o aburguesamento da classe trabalhadora industrial; da pacificação dos conflitos de classe, em razão do aparente sucesso dos arranjos neocorporativos e do enquadramento dos sindicatos em uma política de rendas e de crescimento que lhes reservava um importante papel funcional. Com a crise do fordismo, no início dos anos 1970, vieram as predições e as novas construções paradigmáticas de modelos produtivos que poderiam, em tese, oferecer uma alternativa à produção em massa e a muitas de suas fragilidades sistêmicas diante de um cenário econômico e uma ordem competitiva diferentes da dos anos gloriosos do após Segunda Guerra.