Imagens Veladas: Relações de Gênero, Imprensa e Visualidade no Rio de Janeiro dos Anos 1950

Ref: 978-85-473-0853-7

A imagem dos anos 1950 como sendo os “anos dourados” tem até hoje um forte apelo emocional e é constantemente reproduzida na memória coletiva, por meio da televisão, do cinema e da imprensa nacional e internacional. 


Calcule o frete

Opções de entrega:

Versão impressa
R$ 74,00
ADICIONAR 
AO carrinho

Versão digital
R$ 33,00
ADICIONAR 
AO carrinho

ISBN: 978-85-473-0853-7


ISBN Digital: 978-85-473-0853-7


Edição:


Ano da edição: 2018


Data de publicação: 00/00/0000


Número de páginas: 309


Encadernação: Brochura


Peso: 200 gramas


Largura: 16 cm


Comprimento: 23 cm


Altura: 2 cm


1. Alexandre Pianelli Godoy.

A imagem dos anos 1950 como sendo os “anos dourados” tem até hoje um forte apelo emocional e é constantemente reproduzida na memória coletiva, por meio da televisão, do cinema e da imprensa nacional e internacional. Nos trabalhos acadêmicos e de divulgação histórica sobre essa época, é comum a presença dessa expressão como algo naturalizado, como se demarcasse um momento histórico já explicado.

Focalizando a imprensa diária e periódica mais inovadora dos anos 1950, representada pelo jornal Última Hora e pela revista O Cruzeiro, este livro desvela imagens do cotidiano carioca e de seus leitores que nem sequer foram alvo das ideologias do “nacional-desenvolvimentismo” e do “populismo”. Qual o significado histórico para o que aquela sociedade considerava como “moderno”? Qual a relação entre este “ser moderno” com o nascimento de um tipo específico de cultura visual na cidade do Rio de Janeiro dos anos 1950? E qual teria sido o papel das camadas médias tanto nesse processo quanto na passagem de uma sociedade burguesa para uma sociedade de massas?

Respondendo a essas indagações, esta obra narra o conflituoso dia a dia de homens e mulheres desses setores médios que, preocupados com as aparências, isto é, em como verem e serem vistos socialmente, ao se defrontarem com suas dificuldades financeiras, frustações emocionais e seus dilemas morais, revelam as incertezas de uma sociedade em que valores burgueses mais elitizados começavam a se estender para uma ampla parcela da população. Por isso, o receio da dissolução da família burguesa exigiu uma rearticulação do discurso normativo para as relações de gênero e atingiu as mulheres de camadas médias de modo certeiro, pois deveriam conciliar as virtudes da “rainha do lar” do passado com a elegância, a coqueteria, o traquejo social e a necessidade da entrada no mercado formal de trabalho requerido naquele presente em uma nova síntese de comportamento entre a mãe e a amante: a mulher-objeto.     

A imprensa desempenhou um papel decisivo ao destinar um espaço inédito em suas páginas para essas camadas sociais e seus valores de estabilidade econômica, de correção estética e de equilíbrio moral, porém deixou entrever leituras plurais e contraditórias sobre esses ideais “médios” inatingíveis. A convivência com imagens de impacto ou de conformidade social dessas publicações parecia preencher um vazio que a televisão ainda não conseguia ocupar naqueles tempos em nada dourados.