Natureza e Representações Imaginárias

Ref: 4017130

Este livro é uma coletânea de experiências que compartilham distintas representações da natureza, do imaginário e a novas formas urgentes de reintegrar-se a natureza numa atitude valorativa.


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ISBN: 978-85-8192-110-5


Edição:


Ano da edição: 2013


Data de publicação: 00/00/0000


Número de páginas: 178


Encadernação: Encadernado


Peso: 200 gramas


Largura: 14.8 cm


Comprimento: 21 cm


Altura: 2 cm


1. Givaldo Ferreira Corcinio Junior.

2. Valéria Cristina Pereira da Silva.

Este livro resulta numa coletânea de ensaios e relatos de experiências que compartilham distintas representações da natureza delineado, sobretudo, o imaginário, como também, a novas formas urgentes de reintegrar-se a natureza numa atitude valorativa. Tangencia ações, concepções teórico-metodológicas e observações empíricas do modo como algumas comunidades integram-se natureza. 

Ainda hoje, são incertos as consequências da tradição filosófica-ocidental que interpretou o homem como algo dissociado da natureza, com possibilidades de dominá-la ao infinito. 

Ao longo da modernidade, com o avanço da sociedade urbana e industrial, tal processo de distanciamento e dominação não apenas se intensificou, como acabou por gerar quase uma ruptura completa no pensamento, convencionando dividir e mesmo opor a realidade em sociedade x natureza. Esta cisão acarretou também uma fratura no imaginário coletivo: a ideologia do progresso linear e finalista preconizou não apenas o domínio da natureza, mas um longo esquecimento: somos consequência da natureza e dela interdependemos. 

Esse esquecimento, junto com aquele dos saberes tradicionais, do saber da arte, da religião, do mito trouxeram consequências drásticas que resultam nos problemas sócio-ambientais que vivemos no final do séc. XX e início do séc. XXI. O esquecimento e a negligencia de todos esses elementos em favor de uma racionalidade técnica e científica, nos colocou diante de um grave fato: o que parecia infinito, apresenta, então, seus limites - a capacidade de esgotamento dos recursos e para agravar, contrasta com esse fato: a exacerbação da sociedade de consumo. 

O prazer de consumir esgota-se no seu ato, individualmente, o sujeito não se atem as suas necessidades e imerge na felicidade efêmera de adquirir cada vez mais, a própria palavra consumir significa esgotar até o fim, aniquilar, exaurir. A natureza da qual fazemos parte, como uma grande realidade ontológica, entrou em declínio reduzindo-se a recursos, mercadorias e a formas disciplinadas e utilitárias, redutos que se tornaram até mesmo patrimônio - convertendo-se, desta forma, de algum modo em cultura. É preciso, então, reinterpretar natureza e cultura, reencontrar natureza e cultura.

Paradoxalmente, no ápice da modernidade observa-se um ponto de inflexão: quando só resta a cultura, a dissociação entre sociedade e natureza perde completamente o sentido, como aponta Leite (1993). 

A tela de Magritte A condição humana traz a paisagem além da janela conectada a nossa forma de ver o mundo, trata-se de uma ilustração da consciência de uma natureza que nos é externa, mas que confunde-se totalmente com a sua representação que é interna e externa ao mesmo tempo e num ponto excelente de articulação as duas realidades se fundem. Nesta perspectiva, o que chamamos natureza tornou-se um símbolo polissêmico. 

No mundo urbano que se estende no contemporâneo, por exemplo, o ambiente construído direciona o olhar dos habitantes, a natureza aparece como um elemento invisível ou é vista apenas pelas frestas.

As tendências metodológicas pós-modernas consistem num esforço teórico de superar esta dualidade. A busca por ultrapassar a visão descartiana do mundo vai além de uma ressemantização da natureza, mas busca sob novos paradigmas e/ou maradigmas na perspectiva de Kirinus (2008) colocar perguntas e respostas epistemológicas para o que se tem denominado sociedade x natureza.

A natureza detém a cultura, a cultura funde-se a natureza. Refletir sobre natureza-cultura como uma argamassa, um todo unificado é um desafio necessário que atravessa o conjunto de textos deste livro-ensaio. É uma tentativa refletir a partir de diversas experiências e também de forma teórica esta questão, distanciando-se da longa tradição filosófica ocidental que atomizou os saberes e operacionalizou paulatina e eficazmente o divórcio entre natureza e cultura ou natureza e sociedade. 

O conceito de natureza, de acordo com Norbert Elias (1998), foi fortemente determinado pela forma e pela significação que as ciências da natureza lhe conferiram. Tais ciências direcionaram o seu foco a um recorte limitado do universo, deixando a margem dimensões propriamente humanas de integração, como se essa dimensão não pertencesse à natureza. Desse modo, Norbert Elias (1998,) afirma que o saber acadêmico, por sua especialização, sugere que o universo é cindido em natureza e sociedade ou ainda em natureza e cultura: