Poesia Negra: Solano Trindade e Langston Hughes

Ref: 978-85-473-0915-2

Poesia Negra: Solano Trindade e Langston Hughes é sem dúvida um livro de referência para todo estudioso da poesia negra. Este trabalho ultrapassa o seu título, pois nele confluem as Américas, incluindo o Caribe, os EUA, o Brasil, o Canadá e a África. Como é de esperar, Elio demonstra o seu conhecimento de Luiz Gama, Castro Alves, Cruz e Souza e de muitos poetas da negritude.


Calcule o frete

Opções de entrega:

Versão impressa
R$ 68,00
ADICIONAR 
AO carrinho

Versão digital
R$ 31,00
ADICIONAR 
AO carrinho

ISBN: 978-85-473-0915-2


ISBN Digital: 978-85-473-0915-2


Edição: 1


Ano da edição: 2017


Data de publicação: 00/00/0000


Número de páginas: 306


Peso: 200 gramas


Largura: 16 cm


Comprimento: 23 cm


Altura: 2 cm


1. Elio Ferreira de Souza.

Poesia Negra: Solano Trindade e Langston Hughes é sem dúvida um livro de referência para todo estudioso da poesia negra. Este trabalho ultrapassa o seu título, pois nele confluem as Américas, incluindo o Caribe, os EUA, o Brasil, o Canadá e a África. Como é de esperar, Elio demonstra o seu conhecimento de Luiz Gama, Castro Alves, Cruz e Souza e de muitos poetas da negritude. Mas eu pessoalmente destacaria o trabalho primoroso que ele cumpriu ao resgatar a poesia das mulheres negras, de Esmeralda Ribeiro, Miriam Alves, Lourdes Teodoro e Tânia Lima, entre outras.

Elio sabe se valer de um discurso técnico. No seu texto florescem as palavras da Tribo, o linguajar de Teoria Literária. As notas de rodapé também apresentam esse rigor. Mas não recua diante da neológica, por exemplo, usando “caldeia” [do verbo caldear, o ferro]. Agradam-me ainda mais os momentos estilísticos em que o poeta Elio Ferreira pede passagem ao crítico Elio Ferreira.

O tom do livro é de uma pessoa engajada na sua enunciação. A voz do discurso revela um timbre pessoal que assume plenamente a sua negritude. Essa singularidade muitas vezes ganha a abrangência de um Nós coletivo. São todos os seus irmãos de “raça” que se exprimem por sua voz. Elio cita Franz Fanon, o famoso autor de Pele negra, máscaras brancas, um livro no estilo dele próprio.

O estilo é direto, bate na cara pelo ritmo das frases curtas, ou cortadas pelas vírgulas nas enumerações. A metáfora do “Navio Negreiro” e outras metáforas aguardam o leitor em muitas outras páginas, como a metáfora do tambor e a figura de Palmares.

Outro aspecto do estilo de Elio reside na riqueza do vocabulário. No leque lexical abundam localismos, termos emprestados da cultura africana (ritos, folclore, forma de lazer), muitos termos trazendo à tona a vivência dos moradores da Senzala, e não da Casa Grande. Tudo por configurar uma identidade negra, notável no capítulo “O curso da memória autobiografia e coletiva”.

No plano comparativo, Elio faz contracenar Solano Trindade com Langston Hughes, poeta negro dos EUA, cuja fortuna crítica contagia Solano com aquela grandeza que dignifica legitimamente o poeta brasileiro perante os scholars inter-raciais.

 

Sébastien Joachim

Professor doutor em Letras pela Université Laval