Seringueiros da Amazônia: Sobreviventes da Fartura

Ref: 4345011

Este livro é fruto do trabalho de aproximadamente quinze anos de vida junto aos Seringueiros do Rio Ouro Preto, na Amazônia Ocidental, na sua trajetória em Defesa da Floresta...


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ISBN: 978-85-8192-477-9


Edição: 1


Ano da edição: 2014


Data de publicação: 10/10/2014


Número de páginas: 351


Encadernação: Brochura


Peso: 200 gramas


Largura: 17 cm


Comprimento: 23 cm


Altura: 2 cm


1. Nilson Santos.

Este livro é fruto do trabalho de aproximadamente quinze anos de vida junto aos Seringueiros do Rio Ouro Preto, na Amazônia Ocidental, na sua trajetória em Defesa da Floresta e do seu direito à vida e a dignidade.
É um livro fruto de muitas lutas, perdas e algumas poucas vitórias, garantindo que a Floresta Amazônica não seja devastada e tomada por queimadas, fazendas de gado e soja na intensidade pretendida por madeireiros, fazendeiros, e outros atores.
Em troca da vida de milhares de seringueiros, que sucumbiram anonimamente por doenças, balas, angustia, por políticas públicas comprometidas com o agronegócio e sentenças judiciais lamentáveis, ganharam para seus descendentes, e para nós, seus leitores, a certeza de que uma vida decente vale a pena.
Nesta convivência de 15 anos, conquistei a confiança de muitos e ao mesmo tempo sentia crescer a impotência por ver a devastação e a destruição ganharem terreno, a tristeza ao ver a floresta queimada, aparecia cada vez mais nas conversas, nas gravações e no sentimento que nutriam sobre o futuro.
Ao longo deste tempo, foi necessário desenvolver uma capacidade de escuta apurada para ouvi-los para além do discurso científico-utilitarista que transforma qualquer relato de vida em mero apêndice teórico. Fazendo surgir relatos de 30, 50, 60 anos de vida cheia de mitos, de incertezas, valores, temporalidades, e muita vida plena.
Assim, os mitos relatados pelos seringueiros se misturam às suas vidas, aparecendo nas noites escuras e acompanhando-os a vida inteira.
É inebriante ver que a trajetória de vida de cada seringueiro, muitas vezes solitário, vivendo no meio da floresta densa, úmida, e muito quente, com uma poronga na cabeça, uma velha cartucheira nos ombros, uma faca de seringa, nos remete a todas as grandes obras épicas ou trágicas da literatura.
Foram os anos dessa convivência e trabalho, que garantiu a confiança de cada um deles e permitiu a elaboração de relatos completamente distintos, tão diversos quanto os caminhos no meio da Floresta.
O desafio da História Oral aprendida com muitos pesquisadores tornou-se importante metodologia para elaboração deste livro, oferecendo o caminho seguro e interpretativo, de um lado trazendo narrativas de vida maravilhosas e por outro consolidando uma metodologia de pesquisa de campo que fazia brotar o humano e não mais simplesmente um objeto de pesquisa.