Famílias Plurais: Uniões Mistas e Mestiçagens na Comarca de Sabará (1720-1800)

Ref: 978-85-473-1609-9

Por muito tempo os estudiosos do passado mineiro preocuparam-se em constatar a natureza desordenada da sociedade que se formou em decorrência da corrida do ouro e, mais tarde, dos diamantes. A característica destacada daquela sociedade e da maioria dos indivíduos que a constituíam teria sido  uma viva aversão aos preceitos legais impostos por um sistema colonial opressivo e interessado somente na geração de recursos para a metrópole lusa.


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ISBN: 978-85-473-1609-9


ISBN Digital: 978-85-473-1883-3


Edição: 1


Ano da edição: 2018


Data de publicação: 23/07/2018


Número de páginas: 155


Encadernação: Brochura


Peso: 200 gramas


Largura: 16 cm


Comprimento: 23 cm


Altura: 2 cm


1. Igor Santos.

Por muito tempo os estudiosos do passado mineiro preocuparam-se em constatar a natureza desordenada da sociedade que se formou em decorrência da corrida do ouro e, mais tarde, dos diamantes. A característica destacada daquela sociedade e da maioria dos indivíduos que a constituíam teria sido  uma viva aversão aos preceitos legais impostos por um sistema colonial opressivo e interessado somente na geração de recursos para a metrópole lusa. O imenso território mineiro consistiria  em uma terra sem lei na qual se tornara habitual desafiar a autoridade pública. Como parte natural dessa desordem, acreditava-se que apenas raramente os mineiros recorriam à instituição do casamento sancionado pela Igreja. A regra era a ilegitimidade, fruto de uma promiscuidade da qual resultou a ampla mestiçagem da população setecentista – essa é a verdadeira marca registrada e o grande legado da Minas colonial. Hoje já se sabe que, na verdade, entre a população livre, a legitimidade era a norma desde os anos iniciais do povoamento e que muitos libertos e escravos também constituíam matrimônio. Mesmo assim, como revela a rica documentação gerada pelas visitações inquisitoriais que varriam os  quatro cantos da capitania do ouro, as uniões conjugais irregulares eram bastante comuns ao longo do século XVIII mineiro e contribuíram de forma decisiva para a já destacada mestiçagem. Com efeito, a importância das uniões informais no processo de mistura de cores, origens, etnias e culturas é um dos pontos principais da argumentação desenvolvida nesta obra de Igor Santos. Ao perscrutar as relações “ilícitas” denunciadas aos inquisidores e, portanto, sujeitas à investigação por parte desses clérigos encarregados de impor uma normatização à vida devassa de incontáveis residentes da capitania mineira, o nosso autor propõe entendê-las como arranjos verdadeiramente conjugais, formados propositalmente por casais que, por alguma razão, não conseguiam contrair o matrimônio dentro dos preceitos tridentinos. Igor Santos leva o leitor a uma realidade na qual tais uniões concubinárias, apesar da repressão eclesiástica, poderiam durar por uma vida inteira, sobreviver à itinerância típica da sociedade mineradora e, mais importante ainda, serem marcadas por afeto genuíno, às vezes até comovente. É a realidade de uma nova corrente historiográfica bem representada pela presente obra.

 

Douglas Cole Libby

História/UFMG