A Diferença Tornada Desigualdade: Ensaios sobre Preconceito

Ref: 978-85-473-3079-8

Este livro tem como objetivo apresentar possibilidades de análise e superação do fenômeno social definido como preconceito, o qual interfere negativamente na qualidade de relações sociais, comunicativas e gnosiológicas assumidas pelos seres humanos; elementos estes que consideramos basilares para o estabelecimento de uma crítica radical sobre os processos excludentes pelos quais estamos situados nas mais diversas situações hodiernas. Trata-se de estudo teórico que dialoga com correntes materialistas e pós-estruturalistas e toma por conceito cardeal o pressuposto de as relações sociais, estabelecidas com o advento da modernidade, serem guindadas pelo condão das lentes da biologia, a qual tem no sucedâneo da norma entreposto de sua constituição. O ordenamento social crivado pelo prisma da biologia é entendido tal qual a ideia de jardinagem que poda e retalha qualquer coisa que apresente dessemelhança a um determinado tipo ideal, criando arquétipos onipresentes, homogeneizadores e essencialmente falsos. Por esse pressuposto se naturaliza o social e marginaliza a diferença ao terreno das incorreções biológicas, do desvio, do erro, da não conformação, da monstruosidade, do interdito, do impuro, dentre outros adjetivos que fizeram e ainda fazem parte do vocabulário depredador do pensamento preconceituoso. Preconceito aqui é entendido não como algo fortuito e ingênuo, mas real, visceral e proposital, uma atitude deliberada com a finalidade de demarcação social realizada por pessoas e instituições; atos, fatos e pensamentos que não se comprovam à empiria, mas que teimam com fôlego de gato em se reinventar e construir novos motes para sua justificação. É guindado por vieses segregacionistas, biologicamente justificado e materialmente construído por um conjunto de saberes que privilegia a exclusão e a marginalização do oposto em relação a um eu higienista binário. Defendemos que a contestação de tais atitudes somente pode ser materializada por um longo processo educacional anexado a uma revolução dos mores da cultura, da ciência, da economia, das instituições e dos hábitos que compõe o tecido conjuntivo de nossos diálogos e pensamentos. Faz-se mister criar um cenário para além do anátema ter preconceito de ter preconceito para nos utilizarmos de uma famosa assertiva de Florestan Fernandes, posto que se mostre cardeal edificar um ambiente social estimulante e edificador de novas possibilidades e em que a igualdade seja vista como protoforma da luta social e a diferença entendida como matéria-prima do desenvolvimento holístico do ser humano.


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ISBN: 978-85-473-3079-8


Edição:


Ano da edição: 2019


Data de publicação: 12/06/2019


Número de páginas: 199


Encadernação: Brochura


Peso: 100 gramas


Largura: 16 cm


Comprimento: 23 cm


Altura: 2 cm


1. Gustavo Martins Piccolo.

Este livro tem como objetivo apresentar possibilidades de análise e superação do fenômeno social definido como preconceito, o qual interfere negativamente na qualidade de relações sociais, comunicativas e gnosiológicas assumidas pelos seres humanos; elementos estes que consideramos basilares para o estabelecimento de uma crítica radical sobre os processos excludentes pelos quais estamos situados nas mais diversas situações hodiernas. Trata-se de estudo teórico que dialoga com correntes materialistas e pós-estruturalistas e toma por conceito cardeal o pressuposto de as relações sociais, estabelecidas com o advento da modernidade, serem guindadas pelo condão das lentes da biologia, a qual tem no sucedâneo da norma entreposto de sua constituição. O ordenamento social crivado pelo prisma da biologia é entendido tal qual a ideia de jardinagem que poda e retalha qualquer coisa que apresente dessemelhança a um determinado tipo ideal, criando arquétipos onipresentes, homogeneizadores e essencialmente falsos. Por esse pressuposto se naturaliza o social e marginaliza a diferença ao terreno das incorreções biológicas, do desvio, do erro, da não conformação, da monstruosidade, do interdito, do impuro, dentre outros adjetivos que fizeram e ainda fazem parte do vocabulário depredador do pensamento preconceituoso. Preconceito aqui é entendido não como algo fortuito e ingênuo, mas real, visceral e proposital, uma atitude deliberada com a finalidade de demarcação social realizada por pessoas e instituições; atos, fatos e pensamentos que não se comprovam à empiria, mas que teimam com fôlego de gato em se reinventar e construir novos motes para sua justificação. É guindado por vieses segregacionistas, biologicamente justificado e materialmente construído por um conjunto de saberes que privilegia a exclusão e a marginalização do oposto em relação a um eu higienista binário. Defendemos que a contestação de tais atitudes somente pode ser materializada por um longo processo educacional anexado a uma revolução dos mores da cultura, da ciência, da economia, das instituições e dos hábitos que compõe o tecido conjuntivo de nossos diálogos e pensamentos. Faz-se mister criar um cenário para além do anátema ter preconceito de ter preconceito para nos utilizarmos de uma famosa assertiva de Florestan Fernandes, posto que se mostre cardeal edificar um ambiente social estimulante e edificador de novas possibilidades e em que a igualdade seja vista como protoforma da luta social e a diferença entendida como matéria-prima do desenvolvimento holístico do ser humano.