Compulsão à Comunicação: Ética, Educação e Autorreferência

Ref: 4026928

Este livro nasce de uma inquietação com a hegemonia da descrição da sociedade contemporânea como sociedade da comunicação.


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ISBN: 978-85-8192-075-7


Edição: 1


Ano da edição: 2012


Data de publicação: 00/00/0000


Número de páginas: 186


Peso: 200 gramas


Largura: 14.8 cm


Comprimento: 21 cm


Altura: 2 cm


1. Cleber Gibbon Ratto.

Este livro nasce de uma inquietação com a hegemonia da descrição da sociedade contemporânea como sociedade da comunicação. 

A comunicação parece ter assumido um valor utópico no mundo atual e uma de suas expressões mais particulares, a comunicação auto-referente, vem ganhando notável expressão no cenário das ciências humanas. Falar de si tornou-se uma competência desejável e amplamente explorada por diversas vias do pensamento e da ação no âmbito das humanidades.

Aliás, a quase inquestionável assunção da existência de um eu capaz de falar de si próprio tornou-se foco dessa investigação, que tem na unidade da consciência e na pretensão de Verdade arautos da episteme moderna seus principais alvos de crítica.

O trabalho propõe-se a colocar sob suspeita a evidência do eu e um dos mais fortes efeitos disso na modernidade, as práticas eulógicas de celebração da identidade, aqui emblematicamente tratadas como compulsão à comunicação. Defende-se a tese de que a apologia da comunicação auto-referencial vem produzindo, concomitantemente, uma exacerbação do individualismo e um empobrecimento da experiência mundana.

O trabalho argumentativo que busca sustentar a tese dá-se num recorte exemplar do grande campo das ciências humanas: a educação. Toma-se com especial atenção o crescente interesse e prestígio das práticas narrativas no âmbito da pesquisa e da formação. Como perspectiva teórica configura-se na aliança com a crítica nietzscheana da modernidade e com os principais desdobramentos disso no pensamento político de Michel Foucault.

Metodologicamente trata-se de uma atitude genealógica que persegue proveniências e emergências no campo das ciências humanas, analisando algumas das interferências da comunicação auto-referencial sobre nossos modos de existir e conviver na atualidade.

O ensaio surge como estratégia discursiva de aproximação com todas as dispersões temáticas que atravessaram esse tempo de investigação, numa tentativa de não apagar da escrita os rastros de tudo que ela quase tornou-se. 

Uma espécie de abertura ao que a escrita, na pesquisa, pode vir-a-ser para além dela mesma. Um ponto de partida: parece haver uma incitação geral à comunicação. A cultura contemporânea como nenhuma outra vem nutrindo um forte interesse pelo tema da comunicação e todos seus correlatos tecnológicos. A comunicação e suas técnicas são constitutivas da sociabilidade humana, mas jamais como na atualidade estiveram moduladas de tal modo a influir diretamente sobre os modos de existência com tamanha eficácia e naturalidade.