Criação Neológica: Teoria e Prática

Ref: 3952869

A língua é a morada do ser, diz Albert Tévoédjré, no livro A Pobreza, Riqueza dos Povos (1979). E para que não entreguemos a chave do tesouro do nosso espírito.


Calcule o frete

Opções de entrega:

Versão impressa
R$ 65,00 R$ 39,00 40% off
ADICIONAR 
AO carrinho

ISBN: 978-85-8192-063-4


Edição: 1


Ano da edição: 2012


Data de publicação: 00/00/0000


Número de páginas: 174


Peso: 200 gramas


Largura: 14.8 cm


Comprimento: 21 cm


Altura: 2 cm


1. Nelly Medeiros de Carvalho.

A língua é a morada do ser, diz Albert Tévoédjré, no livro "A Pobreza, Riqueza dos Povos" (1979). E para que não entreguemos a chave do tesouro do nosso espírito a outros e abandonemos nossa morada, é importante que o processo de criação na linguagem esteja em permanente evolução junto com a sociedade, nomeando e descrevendo as mudanças que ocorrem em todos os âmbitos e que se adapte a um mundo que inova os hábitos e costumes, numa velocidade avassaladora. A língua muda em todos os seus componentes: léxico, semântico, sintático, morfológico e fonológico. 

Mas é na nomeação, no componente semântico-lexical, que reside a maior incidência desta inovação, pois é ele que liga o dado linguístico à realidade extralinguística. Poucos falantes se dão conta da evolução da língua nos demais componentes, mas as inovações lexicais são facilmente percebidas.

A mudança faz parte do que o linguista francês Louis Guilbert chama de criatividade lexical, isto é, a propriedade das línguas de adaptarem seu repertório de termos às realidades que mudam ou surgem continuamente. 

A presente obra é resultado do trabalho do Núcleo de Estudos Históricos da Linguagem Vernácula (NEHLV), na quarta etapa, no ano de 2011, da Pós-graduação de Letras da UFPE ¿ abordando o tema ¿Estudos Lexicais na Mídia impressa e eletrônica¿, também inclusos no corpus de análise textos literários contemporâneos. O grupo de pesquisa tem como coordenadora a professora Doutora Nelly Carvalho, e, atualmente, como pesquisadoras Simone Reis (Doutoranda), Rita Kramer (Mestra), Rebeca Lins (Mestra) e Gabriela Medeiros (Especialista).

Em seu primeiro capítulo, o livro trata das teorias que explicam os tipos de neologismos. Nos demais capítulos, o tema será abordado através de análise pelas pesquisadoras acima citadas, utilizando o corpus do Núcleo de Estudos, nos diferentes tipos de neologismos levantados e abordados. 

Cada uma das pesquisadoras escreveu o capítulo sobre a pesquisa concluída, enquanto a coordenadora foi a autora do capítulo sobre a teoria dos neologismos.

Serão desenvolvidos os capítulos/ pesquisas sobre os tipos de inovações que penetram na língua de várias maneiras, seja por adoção estrangeira ou criação vernácula, sejam de origem erudita, popular ou mesmo giriática. Também serão contemplados os neologismos por conversão, isto é, quando uma palavra muda de categoria gramatical, ou as mudanças de sentido que sofre uma palavra através do tempo e de várias circunstâncias de uso, que são os neologismos conceituais ou semânticos. 

A língua, aliada à cultura, reflete a busca frenética de novidade da sociedade moderna, evoluindo e introduzindo novos termos, logo aceitos. Se os vocábulos novos foram considerados pelos gramáticos antigos vícios de linguagem, hoje em dia são aclamados e consagrados, de imediato.

São eles os neologismos, termo que significa nova palavra, composto híbrido do latim neo (novo) e do grego logos (palavra). Estão os neologismos ligados a todas as inovações nos diversos ramos de atividade humana, seja arte, técnica, ciência, política, economia e até humor.

Falando em neologismos, os pontos de referências serão sempre mudança, evolução, novidade, novo, criação, surgimento, inovação.
A incorporação ao vocabulário ativo, seguida da inclusão na linguagem cotidiana, torna o falante participante do mundo, das suas evoluções e seus problemas. O uso do neologismo dá status de atualidade, e sua criação mais ainda. Escritores famosos fazem questão de demonstrar sua inventividade, criando termos novos. 

As novelas criam e divulgam termos que entram em moda, mas caem de uso com facilidade. Na novela da Globo Cheias de Charme (2012), foi criado o termo Empreguetes - trio de dublês de cantoras e domésticas -, que deverá durar o espaço da exibição para, a seguir, cair no esquecimento. 

Além de testemunhar a criatividade e competência comunicativa de seus falantes, os neologismos têm profunda ligação com as modificações do mundo exterior e as mais diversas áreas de conhecimento. 
As principais fontes de criação e surgimento de palavras no século XXI são a ciência e a tecnologia. 

A necessidade de nomear as criações faz com que contribuam para a linguagem em geral, além da linguagem técnica ou científica, pois ambas, ciência e técnica, participam do nosso cotidiano, transformando-o, facilitando as tarefas, mudando os hábitos, acelerando o ritmo, modificando os padrões comportamentais.

Não somente a evolução da tecnologia desbrava novos caminhos para a linguagem. Também as tendências políticas e sociais se modificam, renovam-se e necessitam ser nomeadas, provocando entradas no vocabulário que se tornarão futuros verbetes no dicionário.
Surgem ainda palavras como resultado de uma necessidade de expressão pessoal: são os neologismos criados pelos poetas, escritores, cronistas e humoristas. Expressam um modo de ver e sentir original, diferente e por vezes crítico. 

Todos esses tipos de criação lexical serão apresentados pelas pesquisadoras na seguinte ordem:
Rita Kramer Neologia formal no jornalismo político
Simone Reis Anglicismos: tecnologia & sociedade 
Rebeca Lins Neologismos regionais no sertão de São Francisco
Gabriela Medeiros Neologismos estilísticos em Guimarães Rosa

Os textos têm entre si uma coesão temática que resulta numa coerência com a sociedade em que os novos termos emergiram e são utilizados, sendo representativos do acervo lexical atual através dos quatro tipos de neologismos estudados.