Por Alexsandra Moreira de Castro, autora de A Ética Tecendo a Cultura e o Conhecimento

 

Sou a filha mais velha de um casal que teve três meninas. Fruto de um casamento entre uma artesã e um taxista, tive pais honestos, íntegros, que nos ensinaram a cuidar e a respeitar o semelhante, pelos muitos exemplos ofertados em nosso dia a dia.

Eu sempre estudei em escolas públicas, vivenciei as mais diferentes experiências. Éramos crianças, adolescentes e jovens de todas as cores, de todas as crenças, de todas as condições sócio-econômicas. Cursei duas faculdades: Pedagogia e Direito, em 1997 e em 2002, respectivamente, ambas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Pude, assim, experimentar dois universos diferentes: o primeiro, composto por mulheres em sua maioria e pelas discussões acaloradas sobre a Educação que reproduz a sociedade, o status quo, e, o segundo, composto em sua maioria por homens e pelo imperativo categórico kelseniano. Ou seja, Pedagogia e Direito sempre se entrelaçaram em minha vida e estiveram em diálogo direto com a Educação, vez que atuo em uma instituição religiosa, prestando serviços voluntários há mais de 20 anos.

Por isso, quando o desejo de voltar aos bancos acadêmicos passou a ter forma em meus pensamentos, pareceu-me natural, no sentido de próprio e específico, refletir sobre Ética. Também pareceu-me natural escolher o Mestrado oferecido pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) para ter acesso a um sistema diferente do da UFMG, por mim já tão conhecido.

Friso que a Ética foi por mim entendida, em um primeiro momento, como parte integrante da Filosofia, responsável pelo estudo do comportamento humano e da compreensão das regras e dos direitos que garantem a vida das pessoas em sociedade. Com o estudo e a pesquisa no Mestrado em Educação na UEMG, a Ética ganhou uma dimensão muito maior em minhas reflexões.

Também desejo mencionar que pesquisar é o mesmo que procurar com diligência, e, por sua vez, investigar é procurar com método, exame e observação. Já a pesquisa científica é um conjunto de investigação, com disciplina e de maneira metódica, para a descoberta de possível(éis) solução(ões) de um problema ou o desenvolvimento de um estudo. Afirma Sérgio Vasconcelos de Luna (2011) que a pesquisa científica tem por objetivo a produção de conhecimento: 1) novo (diferente de original; é o conhecimento que preenche uma lacuna no conhecimento disponível, que não é suficiente para responder o problema. Esse conhecimento novo deve ser bem fundamentado/elaborado/tratado/conceituado pelo/a pesquisador/a e reconhecido como válido pelo conjunto de pesquisadores/as da área); 2) relevante teórica e socialmente (o que difere de grandiosidade e acarreta em responsabilidade com os sujeitos e/ou instituições envolvidos na pesquisa, respectivamente) e 3) fidedigno (significa que o/a pesquisador/a deve dar o crédito do pensamento/escrita a quem de direito). Isso sem esquecer que o resultado da pesquisa deve implicar em generalidade (o que quer dizer que a pesquisa científica não é um acúmulo de informações teóricas).

Por isso, fica o convite para a leitura de A Ética tecendo a cultura e o conhecimento. Foi um esforço, em tempos pandêmicos, de dialogar sobre o curso de Pedagogia, sobre o/a profissional de Educação, acerca de quais seriam as habilidades necessárias para a formação do/a pedagogo/a, vez que a Educação estendeu o seu campo para a formação humana e, consequentemente, para a formação ética. Esse diálogo perpassou, por exemplo, pelos Direitos Humanos, gênero e raça; pela Ética e a formação docente; pela presença ou não da disciplina Ética nas instituições de ensino superior; pelas fronteiras do pensamento e Monteiro Lobato. Considerei, ainda, se a Educação Ética está associada a um projeto transformador de pensamentos, que priorize os princípios e valores morais e a reflexão crítica sobre esses princípios e valores. Uma Educação Ética que compreenda os indivíduos como imanentes e transcendentes, unidos, integrados à sociedade, com possibilidades reais de intervenção e transformação do contexto atual.

 

REFERÊNCIAS

LUNA, Sérgio. Planejamento de pesquisa: uma introdução – elementos para uma análise metodológica. São Paulo: EDUC, 2011.

Alexsandra Moreira de Castro, Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais (FaE/UEMG, 2021), na linha de pesquisa Culturas, Memórias e Linguagens em Processos Educativos. Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 1997) e em Direito, também pela UFMG (2002). Especialista em Direito Eleitoral pelo Centro Universitário Newton Paiva (2013). Possui experiência na área de Educação (atuou em escola no município de Contagem e atua em uma instituição religiosa como trabalhadora voluntária), na área de Direito Municipal de Belo Horizonte e na área do Direito do Trabalho – estes dois últimos por ser servidora do município de Belo Horizonte. Atualmente está à disposição do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, atuando como secretária de audiências e no auxílio de juízes e juízas na elaboração de despachos e decisões interlocutórias, bem como no cumprimento de despachos e demais determinações judiciais.

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