Por Maria Lenice de Oliveira Sá, autora de Triste Sina, Triste Cena: Um Romance Sobre Silêncio, Dor e Libertação Feminina

A violência contra a mulher não é um fenômeno recente, mas uma realidade presente ao longo da história da humanidade. Desde a Antiguidade, as mulheres viveram em sociedades marcadas por estruturas patriarcais que limitaram sua liberdade, autonomia e participação social. Durante muitos séculos, elas foram privadas do direito de decidir sobre a própria vida, seus bens e até mesmo seus sentimentos. Entre as diversas formas de violência, a psicológica e a patrimonial merecem destaque por serem, muitas vezes, silenciosas e difíceis de identificar, mas profundamente destrutivas para a dignidade e a autonomia feminina.

Na Antiguidade, em muitas civilizações, a mulher era vista como subordinada ao homem, ocupando uma posição de dependência em relação ao pai, marido ou outros membros masculinos da família. Em sociedades como a grega e a romana, a participação feminina nas decisões políticas, econômicas e sociais era bastante limitada. Seus direitos eram restritos e sua existência frequentemente associada às funções domésticas e reprodutivas.

Ao longo dos séculos, a violência psicológica manifestou-se por meio do controle, da intimidação, da humilhação, da manipulação e do silenciamento das mulheres. Muitas cresceram ouvindo que deveriam ser submissas, obedientes e aceitar determinados comportamentos como naturais. Essa forma de violência afeta a autoestima, gera medo, insegurança e pode provocar consequências emocionais profundas, como ansiedade, depressão e isolamento social.

A violência patrimonial, por sua vez, também esteve presente em diferentes épocas históricas. Durante muito tempo, mulheres foram impedidas de possuir bens, administrar recursos financeiros ou tomar decisões sobre seu próprio patrimônio. Seus bens, heranças e rendimentos frequentemente eram controlados por figuras masculinas. Mesmo atualmente, essa violência pode ocorrer quando há retenção, destruição ou controle abusivo de documentos, dinheiro, salários, propriedades ou outros recursos financeiros, tornando a mulher dependente e limitando sua liberdade.

Apesar dos avanços sociais, jurídicos e das conquistas femininas ao longo dos anos, essa realidade ainda permanece presente nos dias atuais. Independentemente de classe social, nível de escolaridade, profissão, religião, idade ou etnia, muitas mulheres continuam vivendo situações de violência psicológica e patrimonial. Essas violências podem ocorrer em diferentes ambientes — dentro do casamento, em relacionamentos afetivos, no contexto familiar e até mesmo no ambiente profissional. Muitas vezes, a dependência emocional, o medo, a vergonha, a culpa ou a dependência financeira dificultam a identificação e o rompimento desses ciclos de violência.

Para minimizar essa realidade, alguns caminhos tornam-se fundamentais. A educação é uma das principais ferramentas de transformação social, pois promove o respeito, a igualdade e a desconstrução de padrões culturais que naturalizam a submissão feminina. O fortalecimento das políticas públicas e das leis de proteção às mulheres, como a Lei Maria da Penha, também é essencial para garantir segurança e acolhimento. Além disso, ampliar o acesso à informação, ao apoio psicológico, à assistência jurídica e à independência financeira pode fortalecer mulheres em situação de vulnerabilidade. Redes de apoio formadas por familiares, amigos, instituições, escolas, comunidades e grupos sociais também desempenham papel importante no acolhimento e encorajamento para denúncias e recomeços.

A compreensão da violência psicológica e patrimonial contra as mulheres exige um olhar histórico e social que permita reconhecer que essas práticas foram construídas e perpetuadas ao longo do tempo. Embora muitos direitos tenham sido conquistados, ainda há desafios significativos a serem enfrentados. Combater essas formas de violência significa promover educação, conscientização e igualdade de oportunidades, fortalecendo políticas públicas e redes de proteção. Mais do que identificar comportamentos abusivos, é necessário transformar culturas, romper ciclos históricos de silenciamento e construir uma sociedade em que toda mulher tenha garantidos seus direitos, sua autonomia, sua dignidade e uma vida livre de violência.

Para saber mais sobre o tema, conheça a obra “Triste Sina, Triste Cena”, editora Appris.


Maria Lenice de Oliveira Sá, nascida em 25 de maio de 1962

Pedagoga – Psico-pedagoga

Atuou por quatro décadas na educação e no desenvolvimento humano nas cidades de Mesquita, Santana do Paraíso, Ipatinga, Cel Fabriciano, Timóteo, e Rio Casca , em Minas Gerais.

Professora das séries iniciais por 18 anos. Depois atuou como supervisora, Orientadora, Vice-diretora, Diretora em Escolas Públicas.

Paralelamente trabalhou em escolas particulares coordenando as séries finais do Ensino Fundamental, Ensino Médio e cursos Técnicos.

Após a aposentadoria, atuou como Secretária de Educação do Município de Santana do Paraíso. MG

Roteirista e Diretora do Curta Metragem Triste Sina , Triste Cena,  idealizado pela Vale do Rio Doce e produzido pela Marlin Azul.

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