Por Wilson Joel Leal Gasino, autor de Tá na hora da gente conversar: caminhos para buscar conexões verdadeiras em um mundo onde é cada vez mais difícil se comunicar

– É um jeito de falar mansinho?

– É uma forma de evitar brigas?

Não é bem isso. Vem saber um pouco mais.

A Comunicação Não-Violenta (CNV) é uma forma de se relacionar consigo mesmo e com os outros que traz um olhar sobre elementos mais profundos presentes nas conversas aos quais normalmente não prestamos atenção. Sejam conversas na vida afetiva ou profissional, a CNV nos ajuda a entender como elas se desenvolvem e porque muitas vezes parecem não funcionar.

A CNV, sistematizada pelo psicólogo e escritor Marshall Rosenberg, se baseia em 4 componentes / passos no processo:

1) Observar o que está acontecendo evitando julgamentos – focar naquilo que é concreto na situação

2) Perceber o que estou sentindo – as emoções envolvidas

3) Entender quais são as necessidades que quero atender (emoções são indicativas)

4) Descobrir de que forma posso traduzir minhas necessidades em pedidos

Todos esses elementos estão presentes para o outro também. Ele também tem sua percepção da situação, emoções e necessidades. E também pode formular seus pedidos. Não se trata, então, de calar ou falar mansinho. Se trata de entender o que precisa ser ouvido e atendido realmente para que a tensão diminua

Se não conhecemos nossas emoções e necessidades reais envolvidas (e o outro também não), a conversa pode virar um diálogo superficial ou uma troca de acusações e ofensas, sem que haja qualquer avanço. O resultado esperado aqui não é convencer o outro, vencer a discussão ou lacrar

O que se espera é que cada um se expresse honestamente por meio desses 4 componentes e receba com empatia a expressão do outro também.

Pode ser que a gente não consiga aquele resultado concreto no final da conversa, mas o fato é que a tensão vai diminuir e se o resultado for obtido será genuíno e duradouro, não algo imposto ou conquistado com manipulação. E será sustentado por uma relação mais forte e verdadeira, o que significa conversas cada vez mais fluidas, fáceis e menos violentas.

Quer saber mais sobre o tema? Conheça o livro Tá na hora da gente conversar – caminhos para buscar conexões verdadeiras em um mundo onde é cada vez mais difícil se comunicar


Wilson Joel Leal Gasino é escritor, consultor em comunicação e gestão de reputação, coach e jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná, com MBA em Gestão de Empresas e pós-graduação em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas, além dos cursos Master para Editores do IICS/Universidade de Navarra (Espanha), Changing Management in Newsroom da University of South Carolina (EUA), e as formações Comunicação Para a Sustentabilidade e Gestão da Reputação (LSO) pela Escola Aberje.

Trabalhou mais de 25 anos em jornais como Gazeta do Povo (repórter e editor) e Jornal de Londrina (Diretor de Redação), A Tarde de Salvador/BA (secretário de Redação) e Bom Dia Rio Preto/SP (editor-chefe). A partir de 2014 migrou para a área de comunicação empresarial trabalhando na Sabesp – Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo. Nesse período, duas experiências foram muito importantes: o enfrentamento da crise hídrica aguda de 2014 a 2016 e a comunicação do Programa Novo Rio Pinheiros, que reduziu significativamente a poluição desse importante rio paulista.

Em 2006 lançou o livro reportagem Histórias sobre corrupção e ganância, sobre a CPI do Banestado. Em 2011 publicou o romance O reino místico dos pinheirais, seguido do livro de contos “Impermanências”, em 2014, e o romance Distrópicos, em 2018. Agora em 2025 lança seu novo livro sobre Comunicação Não-Violenta: Tá na hora da gente conversar.

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