Por Rita Tavares Santos, autora de Esperança Após a Perda: Encontrando Força e Amor na Sombra da Ausência
Há dores que não cabem em palavras. E há silêncios que gritam. Perder alguém que se ama é ser lançado num mundo onde o tempo corre diferente, onde os dias são longos demais e as noites não terminam nunca. Mas quando essa perda vem pelo suicídio, há um abismo ainda mais profundo, um tipo de luto que mistura amor, saudade, impotência e perguntas sem resposta.
Durante muito tempo, evitei falar. Porque o mundo também evita. O suicídio ainda é um tema cercado de julgamentos e tabus, e quem fica carrega não apenas a dor, mas também o peso do silêncio alheio. É como se a ausência de palavras revelasse a ausência de preparo, de escuta, de coragem. Mas o que dizer a quem perdeu alguém assim?
Talvez a resposta não esteja nas frases prontas, mas na presença. Na escuta. No respeito pelo tempo do outro. O consolo verdadeiro não chega como resposta, mas como acolhimento. Ele não tenta consertar a dor, ele se senta ao lado dela. Aprendi que há coisas que não precisam ser ditas. Mas também entendi que há outras que precisam ser ditas, mesmo que com a voz trêmula. Falar sobre o suicídio é difícil, sim. Mas é necessário. Falar é também um ato de amor. De cuidado com quem sofre em silêncio. De respeito com quem ficou. E, acima de tudo, falar é uma forma de lembrar que ainda há esperança. Porque há.
A fé me sustentou quando o chão faltou. Não uma fé mágica, que apaga a dor, mas uma fé encarnada, que me ensinou a atravessar o vale com passos lentos e olhos úmidos, sabendo que mesmo ali, Deus não se afastava. Foi assim que nasceu meu livro Esperança Após a Perda, como uma tentativa de transformar a ausência em presença, o fim em caminho, a dor em palavra viva.
Se há algo que posso dizer a quem deseja consolar, é isso: esteja. Ouça. Ore. Ame. O consolo começa quando a gente para de tentar resolver a dor do outro e começa a respeitá-la. E se há algo que posso dizer a quem perdeu, é: você não está só. Para saber mais sobre o tema, conheça a obra Esperança Após a Perda.

Sobre a autora
Rita Tavares Santos é escritora, ghostwriter e ex-chef de cozinha. Brasileira, vive nos Estados Unidos desde 1999, em Ponte Vedra, na Flórida. Após perder seu filho para a depressão, encontrou na fé e na escrita um novo propósito de vida. É autora do livro Esperança Após a Perda e também de Vera, uma obra para crianças, com ilustrações e histórias inspiradas em sua neta. Este segundo livro será lançado nos Estados Unidos, por enquanto apenas em inglês. Com sensibilidade e coragem, Rita compartilha sua jornada para acolher, consolar e lembrar que, mesmo nas ausências, o amor continua.
Excelente. Na dor, o enlutado sofre com a perda e também sofre com muitos cumprimentos inapropriados. Acredito que nada pode aliviar a dor de quem perdeu alguém que ama. Mas um abraço silencioso, uma xícara de chá sem nenhuma palavra, um afago no rosto, pode demonstrar que vc reconhece a dor do outro. E, especialmente no caso do suicídio, não se tem perguntas a fazer pois, quem ficou, também não sabe as respostas.
Muito obrigada por suas palavras tão cheias de empatia e verdade.
Sim, o luto é um território onde muitas vezes o silêncio fala mais alto do que qualquer frase feita. E como você disse tão bem, no caso do suicídio, o silêncio pode ser ainda mais necessário, um silêncio que acolhe, e não que ignora. Um silêncio que estende a mão, oferece uma xícara de chá, um abraço, um olhar que diz: “Eu estou aqui.”
É exatamente isso: não há perguntas a fazer, porque as respostas, se existem, estão muito além do nosso entendimento.
O consolo não vem das certezas, mas da presença.
Gratidão por compartilhar esse olhar tão sensível. Que possamos, juntos, ser luz e cuidado para quem sofre.
Rita Tavares é uma mulher que não se define apenas na dor, mas pela maneira como decidiu emfrenta-la. Sua maternidade, sua avozice e sua essência feminina se entrelaçam em uma jornada marcada pelo amor , fé e transformação
Lourdes, suas palavras tocaram profundamente o meu coração.
Sim, a dor não me define, o que me define é o amor que escolho semear, mesmo quando o solo parece árido. A maternidade, a avozice e essa caminhada de fé entre lágrimas e esperança são, para mim, sinais de que a vida ainda floresce, mesmo quando tudo parece perdido. Obrigada por ver e nomear isso com tanto carinho.