Por Vanusa Lima Agostinho, autor de Desvendando Huri-Gon e o Reino de Lumix
Não é de hoje que o imaginário ronda as nossas mentes. Desde criança, somos acostumados a “viajar” nas histórias de trancoso contadas pelas nossas mães e avós, estas histórias que nada mais são que repetições passadas de geração em geração e, que tiveram origem em contos escritos por diferentes autores e lugares. Os mais conhecidos até hoje são: o escritor e poeta francês do século XVII, Charles Perrault, com belíssimos contos como: O Gato de Botas, A Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho e tantos outros; Hans Christian Andersen, autor dinamarquês, escreveu contos de fadas que eram compostos por 156 histórias divididas em nove volumes, dentre elas: A Pequena Sereia, A Rainha da Neve, O Patinho Feio, O Soldadinho de Chumbo, etc.; Jacob e Wilhelm Grimm, conhecidos como os Irmãos Grimm, entre os anos de 1812 e 1815 escreveram contos infantis com o intuito de preservar a cultura e o folclore alemão, algumas delas bem conhecidas, como: Cinderela, Rapunzel e Branca de Neve e os Sete Anões. Todos estes autores traziam em suas obras valiosíssimas lições de virtude e resiliência em face a adversidade, não apenas para o público infantil, bem como para o público adulto, em geral.
Todos estes autores e suas respectivas obras, nos fazem viajar por um mundo de encantos e magias, onde o ponto de partida é a nossa imaginação. Fadas, bruxas, duendes, unicórnios, elfos, fantasmas e até monstros, sempre mexeram e continuam mexendo com o nosso imaginário, nos fazendo “caminhar” por terras longínquas, onde gigantes podem ser nossos aliados e as bruxas nossas eternas arquiinimigas.
Entretanto, quando falamos em contos de fadas, mundo mágico, reinos de fantasia, não devemos ficar focados somente no passado. Claro, todas estas histórias contribuíram e vão continuar sendo referencial para que novos enredos sejam criados, com o mesmo intuito, inclusive, não somente de entreter as crianças, mas, de trazer ensinamentos importantes para os que leem, e um deles, vale salientar, é a importância de se permitir imaginar estes mundos.
Viajar na imaginação nos dias atuais, onde somos praticamente tomados pela tecnologia e um quantitativo absurdo de redes sociais, com conteúdos incrivelmente diversos e, na sua maioria vazios, torna-se um pouco mais difícil. Não somente as crianças e jovens estão abandonando o hábito da leitura, mas, os próprios pais e adultos, estão esquecendo de incentivar este público a ler. A leitura ativa um ponto muito importante para o ser humano: a criatividade, ela é despertada através do seu imaginário. Olhando por esta perspectiva, as obras atuais que refletem o gênero fantasia, continuam com o mesmo intuito de forjar o leitor a viajar em sua própria imaginação, explorando criativamente os lugares mais fantásticos que os contos de fadas de antigamente permitiam acontecer, é o que podemos ler na obra Desvendando Huri-Gon e o Reino de Lumix, onde podemos nos imaginar em um universo mágico, repleto de seres fantásticos.
Entretanto, em nossa contemporaneidade não encontramos tantas obras assim, as que possuem, não são tão bem divulgadas como mereciam ser. É preciso que estes autores estejam dispostos a fazer o seu público alvo continuar sentindo-se em um mundo ou reino diferente. As obras antigas, como de Perrault, Andersen e os Irmãos Grimm continuam sendo referências até a atualidade, e que bom seria se hoje também pudéssemos contar com mais escritores que buscassem retratar o gênero fantasia, como os que surgiram há séculos atrás.
A imaginação não deve ficar contida apenas na primeira infância, a leitura vai despertar nestas crianças não somente o imaginar, mas, a criarem um censo crítico quando atingirem sua maturidade, sabendo discernir o que é real, o que não é; o que é bom e o errado, porque este tipo de leitura vai sempre trazer alguma lição de moral, de vida, que será útil em toda a sua existência. E, vale salientar que, uma pessoa que ler, consegue viajar o mundo, sem sair do lugar, já diria o nosso poeta brasileiro, Mário Quintana.
