Por Cláudia Cordeiro, autora de Entre a dor e o orgulhorelatos de uma vida entre batalhas, crimes e coragem

Nenhuma lei nasce fria.

Ela nasce quente, marcada por histórias interrompidas, por silêncios forçados e por famílias que jamais voltaram a ser as mesmas.

Quando uma mobilização busca a federalização de uma lei, o que está em jogo não é ideologia  é memória, proteção e responsabilidade coletiva.

É o reconhecimento de que a dor não pode depender do CEP para ser acolhida.

Ao longo da minha trajetória na segurança pública, aprendi que a ausência do Estado quase sempre chega antes da mudança da lei.

E, muitas vezes, chega tarde demais.

Transformar dor em política pública não apaga perdas.

Mas impede que elas se repitam no mesmo silêncio.

Respeitar essa mobilização é, acima de tudo, respeitar as histórias que não puderam mais esperar.

Há lutos que não pedem discursos , pedem ação.

Que nenhuma vida precise se tornar estatística para que a proteção exista.

Que nenhuma família precise gritar sozinha para ser ouvida.

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