Por Ph Araujo, autor de O peso da folha seca: um desabafo poético sobre a coragem de ser vulnerável

Às vezes, uma palavra mal colocada pode ferir muito mais que um tapa na cara.

A poesia me faz enxergar, cada vez mais, como as palavras são importantes. O peso que elas têm: podem fazer o bem, mas também podem ferir profundamente.

A poesia chegou à minha vida quando eu ainda era criança. Lembro-me do primeiro livro que li na escola: um livro fino, de capa azul. Havia nele um poema com rimas, e aquilo me encantou, mesmo sem entender exatamente o que era. Só sei que gostei tanto que até hoje guardo essa lembrança.

Os versos que ficaram na minha memória são do poema “Pedido”, de Gonçalves Dias:

“Ontem no baile
Não me atendias!
Não me atendias,
Quando eu falava.”

A escrita sempre fez parte de mim. Sempre gostei de escrever, mas nunca pensei que pudesse, de fato, publicar um livro. Minhas condições financeiras não ajudavam muito. Isso nunca me impediu de continuar escrevendo. Aliás, nunca escrevi pensando em recompensa: sempre foi algo natural e com muito sentimento.

Eu me encontro entre uma caneta e um papel, entre um verso e outro, em um desabafo poético, em uma história, em um sentimento, em uma inspiração.

Quando sinto algo, seja bom ou ruim, eu escrevo. Colocar no papel parece tirar um peso de cima de mim. Não sei exatamente como acontece, mas, às vezes, sinto a necessidade de escrever. Quando vêm as palavras, eu quero, eu preciso escrever. Parece um desabafo, um alívio.

Às vezes, isso acontece de repente: no trabalho, na rua, no banho. Nem sempre estou com papel e caneta na mão, mas o celular está sempre por perto. Então, quando não consigo usar uma caneta e um papel, uso o bloco de notas. Ou fico tentando repetir mentalmente a frase ou a ideia para não esquecer, até conseguir escrever.

Escrevo a partir de sentimentos reais ou de inspirações que surgem ao observar o mundo, ouvir alguém falar, contar uma história ou compartilhar um acontecimento. A poesia me faz enxergar a vida com outros olhos.

A poesia me faz crescer, amadurecer e sonhar. Faz com que eu transborde de dentro para fora. Às vezes, faltam palavras para dizer em voz alta o que sinto, mas a escrita sempre me salva.

Eu ainda não sei aonde ela vai me levar, mas o caminho que está abrindo parece bonito, e quero me aprofundar cada vez mais. Entre versos, pensamentos, realidade ou ficção, sigo escrevendo poesia.

Eu sempre me reencontro na poesia.
Ela sempre me faz encontrar um caminho.


PH Araújo é escritor, empreendedor e coreógrafo, com atuação em Campinas, São Paulo. Autor de O Peso da Folha Seca, encontra na poesia uma forma de expressar sentimentos e refletir sobre as experiências humanas. Sua trajetória reúne diferentes formas de expressão artística, passando pela dança, pelo audiovisual e pela literatura.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *