A problemática de resíduos sólidos é grave, abrangente, e, portanto, urgente. Os impactos negativos resultantes dessa problemática atinge os diferentes sistemas ambientais, aumentando a entropia e distanciando o alcance do tão sonhado desenvolvimento sustentável.  Afeta também os sistemas social, econômico e político.

Como no meio ambiente tudo está conectado, a sociedade humana é atingida, prejudicando a sua saúde e a qualidade de vida. Põe em risco as condições de sobrevivência das gerações atuais e futuras.

A compreensão predominante na sociedade humana de que os resíduos sólidos não tem serventia, impede o manejo correto, concentrando a preocupação no descarte. Somamos a esse fator, a sociedade do ter, cujo consumo representa poder e status social; o modelo de desenvolvimento econômico que tem alicerce no lucro e no acúmulo de riqueza; a ausência do entendimento de que o ser humano é meio ambiente e que tudo que recaí sobre ele acarreta danos ao ser humano; e o modelo de educação preponderantemente bancário e descontextualizado adotado nas diferentes instituições de ensino da  Educação Básica e Educação Superior.

Há, no entanto, alternativa para mudar este cenário, a Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (GIRES). É a alternativa apontada por cientistas e ativistas da área e contida na legislação ambiental vigente, a exemplo da Lei 12.305/2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada pelo Decreto 10.936/2022.

A Gestão Integrada de Resíduos Sólidos constitui um conjunto de ações aplicado ao longo do percurso dos resíduos sólidos, da geração à disposição final, com o objetivo de mitigar e/ou evitar os impactos negativos. Dentre as ações, destacamos a redução da geração de resíduos sólidos e da quantidade que se transforma em rejeito; coleta seletiva na fonte geradora; destinação da parcela reciclável às catadoras e aos catadores de materiais recicláveis organizados em cooperativa ou associação; tratamento da parcela orgânica por compostagem e disposição final dos rejeitos em aterro sanitário. Essas ações devem ser abalizadas pelo processo de Educação Ambiental. Um modelo de educação, cujo ponto de partida e de chegada é o meio ambiente. 

Defendemos que nesse processo sejam desenvolvidas e aplicadas estratégias metodológicas que permitam a construção e reconstrução do conhecimento de forma criativa, crítica, lúdica, participativa e afetiva, pois o processo de sensibilização deve acompanhar o de construção e reconstrução do conhecimento.

Nesse processo, o ensino e a aprendizagem acontecem de forma prazerosa. Há diálogo entre as pessoas envolvidas. Desse processo, procede a mudança de percepção ambiental quase sempre desconectada à realidade onde o indivíduo está inserido. Esse tipo de mudança provoca ação de intervenção sobre o meio ambiente, contribuindo para transformação positiva da realidade.

O conhecimento construído e reconstruído a partir da realidade do indivíduo (ponto de partida), retorna ao meio ambiente (ponto de chegada), motivando mudanças significativas da realidade.

Acreditamos que o cenário pode ser transformado por meio da Gestão Integrada de Resíduos Sólidos alinhada à Educação Ambiental crítica e transformadora. Por isso, a nossa preocupação em registrar os conhecimentos da área que construímos e reconstruímos ao longo da nossa jornada profissional, como também apontar estratégias metodológicas que favoreçam a construção e reconstrução do conhecimento simultaneamente ao processo de sensibilização.

As nossas obras publicadas pela Editora Appris, Manual de Educação Ambiental; uma contribuição à formação de agentes multiplicadores em educação ambiental e Gestão Integrada de Resíduos; uma contribuição à formação em Educação Ambiental (Livro Técnico) objetivam favorecer o processo de formação em Educação Ambiental para os diferentes segmentos sociais e permitir que este processo contribua para a justiça ambiental e social.

Entendemos que não há justiça onde há desequilíbrio ambiental e falta dignidade ao ser humano. Todo nosso empenho vislumbra contribuir para formação em Educação Ambiental, de modo que a nossa ação no meio ambiente provoque menor impacto negativo sobre os distintos sistemas ambientais e favoreça a justiça ambiental e social.  Sigamos buscando construir um mundo um pouco melhor do que recebemos.

Por Profa. Dra. Monica Maria Pereira da Silva

Julho de 2025

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