Por Elias José dos Santos Filho, autor de Mensageiros da Pandemia
O Brasil sempre foi uma referência mundial em campanha vacinal. Recebeu o certificado de eliminação da pólio em 1994 erradicando o vírus da paralisia infantil e superando os absurdos colaterais, que não conseguiram justificar os argumentos infundados do movimento anti-vacina, graças às pessoas de bem e aos sempre dispostos voluntários.
Os voluntários da vacina contra a covid-19, em todo o mundo, foram pessoas corajosas, destemidas e acima de tudo abençoadas por Deus como soldados valorosos! O mundo estava sendo desafiado e atacado por um vírus mutante, agressivo e precisava de vacina e voluntários. Porém, o caminho entre a aprovação de uma vacina e a sua aplicação na população foi longo.
A sociedade então se perguntava: “Quem seriam esses voluntários da vacina?”, “Essas seriam pessoas comuns?”, “O que lhes motivaria a se lançarem sem armadura no campo de batalha?”, “Não teriam medo de serem cobaias?”, “E por que ousariam, por 9 meses, se dedicarem para salvar as nossas vidas registrando um período tão difícil da história da humanidade?” e a pergunta que não quer calar:
— Onde estão, agora, esses destemidos voluntários anônimos que entraram como heróis para a história de uma batalha que foi perdida na guerra do mundo dos humanos contra o vírus invisível?
Milhares de pessoas foram vacinadas nas fases anteriores e sobreviveram para contar e fazer parte da história correndo todos os riscos de vida como em qualquer ensaio clínico, pois estavam cientes dos possíveis efeitos colaterais, dos mais leves, como náuseas, dores de cabeça etc., aos mais graves, como a síndrome de Guillain-Barré, que pode causar paralisia e ser fatal.
A pandemia causada pela covid-19 gerou impactos sociais, econômicos, políticos, culturais e históricos sem precedentes na história recente das epidemias. Ela foi fatal levando ao óbito amigos, vizinhos, entes queridos e familiares sem perdão, sem misericórdia e sem esperança, deixando muitas vítimas com sequelas no leito de uma cama, em cima de uma maca ou até mesmo no chão frio de um hospital.
Muitos sucumbiram sem nenhuma homenagem ou reconhecimento, confirmado pelo estudo publicado na revista científica The Lancet. A Organização Mundial de Saúde, médicos sanitaristas e toda a comunidade científica foram pegos de surpresa perante o advento do novo corona vírus, que se desencadeou em uma pandemia sem precedentes. A ousadia do inesperado vírus abalou a arrogância da sabedoria humana nos levando a concluir de que nós não estávamos prontos para combatê-lo e que nunca, em tempo algum, os cientistas pensavam que iriam enfrentar algo tão nocivo, por isso, precisaram unir forças para derrotar um inimigo comum.
O surto do novo corona vírus constituía uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Portanto, a estratégia sanitária era usar todo o recurso global possível dos conhecimentos específicos, técnicos, científicos para agilizar a criação de uma vacina eficaz contra a covid-19 e incentivar a consciência e celeridade nas pessoas para tomarem a vacina contra a covid-19.
Os institutos de pesquisa científica e produção de imunobiológicos de São Paulo e Rio de Janeiro tinham muitos desafios, como por exemplo enfrentar os mais obscuros processos de fake news com complexidades diferentes. As notícias falsas sobre a vacina vinham de todas as formas pela imprensa marrom, que consistia na distribuição deliberada de desinformação ou boatos via jornal impresso, televisão, rádio, ou ainda on-line, como nas mídias sociais.
— Nunca estivemos tão próximo de um momento apocalíptico vivido em vários filmes de extinção da humanidade como nesta ocasião em que fomos salvos pela vacina testada em vários voluntários pelo mundo — comentavam os sobreviventes.
O Ministério da Saúde comprovou eficiência e credibilidade vacinando as pessoas do país com 140 milhões de doses de vacina contra a covid no primeiro semestre de 2021. A vacina contra a covid-19 salvou muita gente e fez renascer nos rostos dos familiares, vizinhos e amigos um sorriso de esperança para um futuro seguro e garantido para as próximas gerações. O fim da pandemia não aconteceu por meio do comunicado apresentado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) após três anos de muita luta e aprendizado. O vírus mutante está solto por aí à espreita esperando uma nova oportunidade de se propagar pelo mundo.
A comunidade científica tem que estar pronta para qualquer evento extraordinário que pode constituir um risco de saúde pública para todos os países devido à disseminação internacional de doenças. A pandemia nos trouxe um novo inimigo e um cenário de guerra, por isso merece uma melhor atenção e requer uma resposta internacional coordenada e imediata de uma vacina 100 por cento eficaz contra qualquer vírus.

Elias José dos Santos Filho
Nascido em 25 de dezembro de 1963, Elias José dos Santos Filho é professor, músico, escritor, ator e diretor de teatro, atleta e morador da cidade de Mauá, em São Paulo. Casado, pai de duas filhas e avô de dois netos.
Professor de arte, se especializou em música, teatro, dança folclore e história da arte. É autor de várias peças teatrais, como Salomão, o rei, O herói da máfia, Escravos da lua cheia, O lobisomem e de obras adaptadas para o teatro, como Sonho de uma noite de verão, O feitiço de Áquila, Prometeu e Pandora, O testamento do cangaceiro, Ripió e Lacraia, Tristão e Isolda, apresentadas com sucesso de público e de crítica.
Participou de várias modalidades esportivas, como voleibol, futebol e atletismo. Defendeu a equipe de atletismo de Mauá, a Seleção Paulista e a Seleção Brasileira, conquistando vários títulos em jogos regionais, jogos abertos do interior, campeonatos estaduais e nacionais brasileiros, como velocista e decatleta.
Atualmente, é flautista na orquestra da CCB. Atuou como diretor do Programa Escola da Família por dez anos, reunindo, junto à comunidade de Mauá, uma verdadeira fábrica de talentos. Escreveu os livros Sete anos e Acordou e Raios-X Cultural 32 anos de História no teatro.
Excelente texto!
Livro maravilhoso!